terça-feira, 26 de maio de 2015

janelas para onde der – 26






para abrir essa janela
sento-me numa cadeira branca
descasco uma manga verde
como lascas da polpa com sal marinho

eu que achava que todo sal é marinho
eu que sei que todo o azul é do pedro
que toda paisagem é cristalizada
assim que se abre uma janela

sento-me numa cadeira branca
descasco uma manga verde
destampo todos os meus dedos

eu que sei que em todo vermelho
pode o sal o sol minhas chagas no azul
para abrir essa janela
para amolecer essa janela
para esvaziar essa janela e matar
a mosca que vem todos dias
suavizar o parapeito e o palavrão






     












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amanhã alguém morre no samba








(os doudos aceitam pagamentos via paypal)







moietymoiety – 124




lost sun
rolling in my glass bowl
little goldfish
your diminutive eyes in the front window of my sacred statues store
pint-sized desirous sun
little goldfish rolling in my bag of straw
your diminutive openings of staying alive
lost kiss
lost cat
lost baby of mine




(série do larCavoDica a ser postada também aqui)







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amanhã alguém morre no samba












(os doudos aceitam pagamentos via paypal)










sexta-feira, 15 de maio de 2015

moietymoiety – 123





as artes vermelhas
como armas brancas
me encantam aos meios
me atravessam
laminam meu homem
as artes vermelhas
um homem outro de dentro mais um e esse
último
meio Russo
as artes vermelhas
me chamam
me ditam
BONECA








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