terça-feira, 26 de maio de 2015

janelas para onde der – 26






para abrir essa janela
sento-me numa cadeira branca
descasco uma manga verde
como lascas da polpa com sal marinho

eu que achava que todo sal é marinho
eu que sei que todo o azul é do pedro
que toda paisagem é cristalizada
assim que se abre uma janela

sento-me numa cadeira branca
descasco uma manga verde
destampo todos os meus dedos

eu que sei que em todo vermelho
pode o sal o sol minhas chagas no azul
para abrir essa janela
para amolecer essa janela
para esvaziar essa janela e matar
a mosca que vem todos dias
suavizar o parapeito e o palavrão






     












§§§





amanhã alguém morre no samba








(os doudos aceitam pagamentos via paypal)







Nenhum comentário:

Postar um comentário