sexta-feira, 3 de abril de 2015

janelas para onde der – 22






estou triste
mas é de costume
e é de customizar
não estou triste
não mesmo
não há nem espaço para um mar aqui
e nem adianta tentar me comprar com goteiras
e nem adianta tentar me comprar com gestos
com a proximidade de gestos
com o estreitamento da distância entre
um dedo teu e meu queixo trêmulo
nem adianta tentar abrir a gaiola
nem adianta libertar o coelho mais novo
nem adianta ficar exibindo esse costado largo
nem adianta dizer que o porco voltou
estou triste pra fazer exercido um costume meu
não estou triste quero explodir
mas é de costume querer explodir e não conseguir nunca

estou triste não estou triste
e olhe que as pitangueiras já nos cercam às janelas



     









§§§







(grata, João!)













Nenhum comentário:

Postar um comentário