sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

janelas para onde der – 19





Dormem na praia os barcos pescadores
Imóveis mas abrindo
Seus olhos de estátua

E a curva do seu bico
Rói a solidão


Sophia de Mello Breyner Andresen    









extrai-se um periquito de um poema
abre-se a janela para que o periquito não trame fuga
alimenta-se o periquito
faz-se carinho nas asinhas
fecha-se a janela para que o periquito seja
abre-se a janela para que o periquito não trame fuga
alimenta-se o periquito
faz-se carinho no biquinho
ouve-se a vida reclamando lá fora
ouve-se Sophia em modos de periquito
reza-se ao periquito rezas e receitas e gemidos
reza-se ao periquito alpiste e mãos e ele mesmo e ainda
agita uma das asas
aponta a janela
aponta a lua e o meu ventre a lua e o meu ventre
aponta minha boca para onde voa e assim vamos mudos comprar
charutos champanha de macumba
pregos e martelo


dormiremos na praia de Sophia









§§§







(Obrigada, Jandira Zanchi! Obrigada, Daniel Zanella!)



ah! 

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