terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

janelas para onde der – 18





bebemos das gotas do vão da janela fechada
em abril será outro o ano
do coelho
porém não
quero me deitar ao seu lado
porém não
bebo da última gota ali bem perto
da última aranha ali bem perto
do último coração
ali
bem perto
fosse uma corça acanhadíssima
porém não
uma legitimada e viva mosca
porém
dói-me os punhos cruzados
quero me deitar ao seu lado
foi tanta gota que bebi
não me sinto
não sei e abro a janela num coice só
porém
o oceano porém
o oceano porém

foi tanta gota que bebi
quero me deitar porém
a criança que fica me assusta
tamanha sede
tamanho nariz de palhaço do meio dia e de
olhar olhar olhar e tremer
deu-me isso de pedir
espia meus punhos agora?

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