terça-feira, 25 de novembro de 2014

janelas para onde der – 15






fecha-se a porta o comportamento da porta
quem vê não olha deste lado bufa e vê
baça é a maneira de ralhar com
as fibras da porta
uma mulher uma leoa uma gestante
a gestora das sombras das piadas amanhecidas
daqui até ali parando e bufando até aqui rindo
na rua bufam passantes e o vendedor de espelhos
ela bufa
uns gestos conseguem atravessar a barreira
bufa
barreira 
bufando até aqui e chora
atravessam e aqui estão
uns bibelôs baratos
uma barata de vidro um camponês depravado
uma lâmpada com uma barquinho dentro 

bufa um novo continente orquídeas carnívoras
e agora sim
fecha-se 
janelas 
o comportamento delas
chove muito e a mulher sente o vendedor de espelhos
tão colado à porta quanto ela
bufam corações do mesmo hálito gregoriano
um dos espelhos sugere uma consternação mais capacitada
e um cachorro deitado abaixo do primeiro 
degrau de azulejos escorregadios













§§§



Fui gentilmente convidada a fazer parte desse lindo projeto
"Empreste sua voz a um poeta morto"
da revista MODO DE USAR & CO. 


a um filho morto, de Sebastião Alba.










(obrigada, Ricardo!)






terça-feira, 18 de novembro de 2014

Empreste sua voz a um poeta morto - projeto da revista MODO DE USAR & CO.





Fui gentilmente convidada a fazer parte desse lindo projeto
"Empreste sua voz a um poeta morto"
da revista MODO DE USAR & CO. 


a um filho morto, de Sebastião Alba.







(obrigada, Ricardo!)








sábado, 15 de novembro de 2014

moietymoiety – 116




quando palha
palha de aço
e ser o homem esfregando uma minha ideia
vestida de homem
com um lápis mole entre as pernas:
tenho o dom da palavra quando cheiro os teus dedos
tenho o dom da palavra quando cheiro os teus dedos
tenho o dom da casaca








(série do larCavoDica a ser postada também aqui)





terça-feira, 4 de novembro de 2014

janelas para onde der – 14








não
não abra a janela nesta hora
não há fogo algum no mundo
não mais
todas as crianças
todos os gatos estão dormindo
respiram como ostras
há um abismo perto de onde eu passei a morar
deixa-me acontecendo no teu peito
aspira-me um pouco mais que a terra
já está a aquietar-se
respira como uma ostra
sim
podes abrir a janela
não
não abra a janela ainda ou nesta hora
deixa-me minada no teu peito salva o meu couro o nosso sal