quinta-feira, 30 de outubro de 2014

janelas para onde der – 13











num copo descansado e vazio
a janela aberta
um tombo e desistir de
no peitoral como que num peitoral
meu dia assim
assim
sem fixar música em
no peitoral como que num peitoral e desistir





quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Nichos/ Parede






- sabe, a gente põe o pé no futuro e tira com tanta pressa.
- você não tem coração.
- como você sabe?
- dá pra ver daqui.
- através do meu peito?
- e pela coloração das unhas. você diz que a gente põe o pé no futuro e tira. isso é coisa de gente sem coração. olhar para os teus dedos só comprova isso: você nunca arranhou um porco ou uma prostituta. além do mais você vive muito limpinho por aí, querendo meter o pé no futuro. quem tem coração traz sempre um tanto de folhas, um tanto de poeira nos pés. você não tem coração. escuta: (desenha e põe um ponto final no coração na parede da escola) pensa que me engana, mas não tem e não tem não.








sexta-feira, 17 de outubro de 2014

moietymoiety – 113




uma metade disfarçada da outra
a cicatriz tomando horas
a meia-vida de uma ordem toda
os meios
os meios e a chaleira gritando as honras

há uns dois ou três torrões eu não choro











(série do larCavoDica a ser postada também aqui)




moietymoiety – 115




o tamanho da metade existida antes da metade
um inteiro todo
pensando dividido
o tamanho da metade comparada ao outro parto sob a mesa rustica
pertinho da luz
você sabe
fazendo sombra e fraude no tamanho do pingo de azeite













(série do larCavoDica a ser postada também aqui)







quinta-feira, 9 de outubro de 2014

janelas para onde der – 12





pela borda das coisas que dizia
ia
para cada dança uma anuência
de dor
apagava a luz
abria a janela e pendia meio 
corpo de luz e meio corpo de eco para
fora junto das bordas daninhas
pela borda das saudades sangrava
havia o punho e o punho
manchavam os dias
esfarelava gestos fraternos e gestos
mundanos
e seria
mais que borda
seria um rosto sem medicina
apagava o que escrevia
pendia chaves aos molhos
seria gato sem resquícios
sardinha sem comedimentos
abria e fechava a janela e pendia pela
borda dos pés que via as coisas que pelas barras se diziam















§§§






inda fazendo a loka do realejo 
na edição 48 
no sítio das Escritoras Suicidas
(gadicidimais, Mariza, Silvana!)






domingo, 5 de outubro de 2014

Nichos/ A Morte: A Estrela






- você ainda não sabe. você ainda não sente.
- ninguém escuta e ninguém recolhe.
- mas você ainda não sente.
- estalo ovos, ao invés.
- ao invés não se instala e ainda mais você que não sabe.
- ao invés de saber faço comboio de objetos de viver sem saber e sigo.
- ao invés de solver.
- ao invés de concorrer.
- mas um dia será. você estará comendo grãos de café. pensará sem concorrer: que diabos? uma águia ali, um pardalzinho também. pensará: mas que diabos! e ao invés de sorrir começará uma blusa de tricô azul mais que marinho, mais lunar que manhãzinha de lua. que diabos será argumento para respirar: que diabos!
- será?
- e ao invés do frio serei.
- mas e eu que ainda nem sei?
- que diabos e eu que ao invés e ainda serei.







    














§§§






inda fazendo a loka do realejo 
na edição 48 
no sítio das Escritoras Suicidas
(gadicidimais, Mariza, Silvana!)







quinta-feira, 2 de outubro de 2014

forjicadas - a máquina de costura






foi concebida em sonho e funciona
como digo agora
digo que funciona com rodas
papai passa pelo tecido e o aplaude
em pé
o vendedor corre o balcão
mede
corta
embrulha
amarra tudo com um cordão vermelho que faz laços
à felicidade de papai
papai que chega desembrulhado e
com todo e mais algum amor
cobre a máquina com o tecido de motivos marítimos
no que a família toda comemora tomando
suco de cana e arrotando nomes da pilantragem atual
e assim é que
realmente funciona a máquina de costurar
o que diz o manual é outra dança