quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Nichos/ O Mundo: A Temperança



- a menina é a culinária dela.
- minha impressão escondida debaixo da toalha.
- a menina sabe.
- minhas pernas debaixo da mesa.
- a menina é o pedregulho.
- minhas coxas feito rochas.
- a menina é o pedregulho.
- a menina tempera. é a temperança.
- a menina não fala.
- a menina tem uma colher de pau.
- a cozinha é sulfurosa.
- a menina quebra o ovo a um palmo do nariz.
- Bob Dylan está entre nós.
- a menina é a carinha dele.
- não existe não. sim não existe não.
- batido é o bolo.
- eu creio na colher de pau, jesus.
- e nas jabuticabas e no farelo da ignorante realidade.




     












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sábado, 20 de setembro de 2014

moietymoiety – 114




há mortes que meia ida ainda não
são voltas que meio chão não faz
tem de tragédias que meias vidas acorrentam roda de fincar
tem lugar que meia biografia faz eleger o imenso indo a catarata
vai ter dia de ano novo
vai ter dia e ano novo, pirata dos meus vermelhos ocos
e meia onda não largará tirar o velho mundo debaixo dos teus pés





(série do larCavoDica a ser postada também aqui)




sexta-feira, 12 de setembro de 2014

janelas para onde der – 11

  

 .para um filhote de morsa com cabelos e pézinhos de gente.








abro a janela para trançar não
os teus cabelos
tranço os meus dedos nos teus cabelos
há essa obrigação quase líquida
abrir a janela
ver a cidade contínua
sobre rodas os barquinhos fazendo fila
abrir a janela e tesar trançar salivar
são tantos os alfinetes na língua
digo
o bananal ao lado não
afundou-se em aborrecimentos
estamos cheias de comiseração não
pelos alfinetes na língua
eu tua cabeça as asas da janela meu sono
chega de disso é um tipo de névoa extraordinária
queremos culpa
queremos culpa
queremos a culpa que rasgue os dias de seus santinhos




sexta-feira, 5 de setembro de 2014

janelas para onde der – 10





no dia em que você morreu
perdi algo que me era essencial
da carne mesmo um braço um prego um rasgo no linho
o miolo aparente bugalhos meus todos alhos uns dentes
perdi algum rumo também como sempre perdi algum rumo
como sou de perder você eu já havia perdido
me machuquei muito a pele os cabelos
as unhas a pele o estômago doeu
tua razão no céu
chovia chove gelo quando você morreu
me enxovalhei matei minha mãe minha cachorra uma vizinha
e eu me perdi n’algo da essência
sôbolos risos sôbolos enganos sôbolos tijolos
o apanhado povo dissidente disse dissidente
uma bússola um mapa uma ampulheta
algum rumo também como sou de perder
não fiz o teu cachecol perdi
uma ampulheta um mapa um caminho de migalhas
me arrebentei
me estraçalhei
mas veja que acidente bonito desgraçado lindo
estou festivamente perdida
e somente aqui nesse tanto de agora
é uma massa imensa que vem faz longe
aqui pelada ralada duvidosa eu sou e parto a novamente ser
brutal besta abobalhada ambígua linda desrespeitável vulcão
parto e sou gentil amarga engraçada chorosa puta santa descontrolada em eternas dietas que não
interditável-você-disse inadiável mentirosa comediante amputável abortável aborteira
excesso escarro de peso de voz de ódio e de inclinação
eu sou corcunda e você morreu eu bato panelas
perdi algo da essência daquilo que nunca a mim serviu
veja que era meu e não me servia mais
eu sou e estou aos desmoldes da esquina por exemplo e você morreu
a pele os cabelos as unhas a pele o estômago a cara morreu
foi fascinante o dia chovia gelo descosturei os bolsos pra caber
havia a cor do dia uma janela
quando você morreu
sim “é preciso amar outros nomes” 
   /o teu já não era esse nome preciso amor/
e sim é preciso esse sol de derreter o mofo que aquele ônibus fez chover
a mala as malas tua mãe tua nuca e tuas palavras
ungidas da ante fome já matada
sofridas erramos mas não aqui
veja que os fantasmas falam e falam pelas orelhas
lembro dum escrito num muro “são bêbados os fantasmas”

uma janela quando você morreu sigo por lá como sou e sigo
janela arreganho: a precisão centrífuga da minha vida enovelada cabal movediça: agora e um pouco além pra frente e para os lados
pelada e hedionda a perder tantos
quase todos os rumos que é como eu sou de perder

sôbolos erros a me carregar por essa esquina me achei
a dois palmos de mim o chão
sôbolos dedos um mundo e vou








            















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e na Coyote número 25/ Kan Editora (Obrigada aos meninos uivantes, Rodrigo Garcia Lopes, Marquinhos Losnak, Ademir Assunção)!
Distribuição nacional (BooksMania, Livraria Cultura, Livraria Saraiva, Livraria da Travessa) pela Editora Iluminuras


terça-feira, 2 de setembro de 2014

moietymoiety – 112





vi a maçã caída na barra do vestido da menina
a coisa ao meio
era amor e era terror
e era sarcasmo infantil
o domador e o leão
abobalhados
a menina ao meio
chorosa
ao meio
sorria
não poderia ser e era
como da primeira vez
da primeira divisão
da primeira noção de espaçamento
e era
era de ver
as sementes todas estavam e estarão

era de ver
e era do amor




(série do larCavoDica a ser postada também aqui)









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e na Coyote número 25/ Kan Editora (Obrigada aos meninos uivantes, Rodrigo Garcia Lopes, Marquinhos Losnak, Ademir Assunção)!
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