quarta-feira, 28 de maio de 2014

PELICULARES/ Nichos to Blow up on – 9



   Para Ali. Para Emmi. Para Fassbinder.










pois que era das flores nas cadeiras de Emmi
toda a obrigação da calmaria e da aquiescência
dos pensamentos giratórios
das conversas e das conservas em torno do conhaque
Ali pouco se importaria caso
uma dessas flores
fosse expelida da cadeira
Ali pouco se importaria caso
a jukebox do bar passasse a tocar músicas Italianas ou Francesas
pois que era das flores nas cadeiras de Emmi
toda a obrigação da agitação e da rejeição

era a Era da coca-cola nos Tempos do cuscuz

era a Era da úlcera nos Tempos do amor em flor






domingo, 25 de maio de 2014

moietymoiety – 104







retalhos espaldeados
espalhados
malarrumados
descosturados e costurados
tudo censurável, tudo berrante, tudo um falo gigante
penduricalhos
ornatos
e as metades todas
inutilidades todas após a primeira divisão

no pôr
debaixo da anágua
é o circo, mãe
é a lona quem
é ela que não detém à diversão












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quarta-feira, 21 de maio de 2014

DIAPHRAGMATICOS/ velas o que capturas, instantaneamente, vês – 5




  





encontro junto a mim
a mancha
piadas que vivem do fungo

três ou quatro lágrimas sobre a tua fotografia
anterior a moldura
anterior ao medo anterior
deram cabo da memória do teu rosto sobre o meu
agora a mancha parva
junto a mim
faço questão
e para adiante
essa minha vida
devendo ser medida como o nosso verdadeiro casamento, querido criadouro de fungos e boas risadas






sábado, 17 de maio de 2014

moietymoiety – 103






limpar os bibelôs, treze dúzias de vacas de vidro, limpar
tantos os cantos
gestos tão delicados
que desacreditados
limpar, soprar
o tempo é Papado naquela vida limpar vaquinhas
gestos
gestos
gestos
gestos tão
que com as mãos
um beijo Russo, outro Romeno
tantos os cantos
que com as tetas
um beijo, outro
ainda outro e outro e mais treze dúzias desses
como pode o vidro, Santa Sara Kali?








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quinta-feira, 8 de maio de 2014

moietymoiety – 102






em cada meio momento fanal
era eu
o ovo
e empinava o interior oval
ao estimuloso susto de ser só
metade, metade
eu brilhava
era rara
empinada

de longe
ouvia o amor
a prometer felicidade
mais cara que um ovo











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