sábado, 24 de agosto de 2013

janelas para onde der - 1










uma que dava para o moinho. Isabela olhava de manhã, o moinho parado, de tardinha um naco de vento e o moinho ia. voltava de manhã pra ficar parado. e Isabela comia, triturava maçãs, santinhas as mastigaduras dela, rabo de sardinha, a borrachinha do lápis. tinha um tanto de raiva do moinho. no mais, Isabela era calma e comia. tinha hora de rezar, mas comia.




terça-feira, 20 de agosto de 2013

moietymoiety – 69




para Raul Macedo




uns destinos
e será
e depois mais algum
acreditando alguma figuração do teu couro
sacolas de ter

como pode
meio gemido
escondido
feixes de luz nas entre moitas dos teus cachos
metade e metade e metade e outra que leva a sacola de pão

algum cabelo também
um coração que me bate tanto

levo na sacola de palha
uma coisa de solidão
de susto descrito em pão
muito do tempo da tua primeira risada







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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

moietymoiety – 68



para Raul Macedo




metade gritada triste
metade sorriso amuado
ida para não sei onde
tropeçada
atraindo satélites do quê

(é tanta saudade, Raul)
(é tanta Lua com você)













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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

moietymoiety – 67




todo o mundo se admira

em ver uma metade da árvore crescendo junto

dessa outra metade

mas ninguém admite

mas ninguém chora sobre










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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

moietymoiety – 66




eu era um objeto
já fui espaço
já tive aura de gente
já dei de ser um fardo
já dei e dei e dei
um próprio fardo
eu dei
mas eu gostaria de ser metade duma pintura
este estudo biológico sobre a sombra
queria volta a ser
objeto no espaço
à meia luz
fixa
minha meia sombra
e disso
o que juntasse em musgo dentro do contorno da meia sombra
fixa
o sol fixo
meia fixação

as pombas da praça não param de olhar














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moietymoiety – 65




na meia cuia da palavra
um tanto querendo a tudo
a língua travesseada a seco
dizendo meias ordens travestis


- eu te amo é ordem, Pai?

- não fala viadice em casa menino!








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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

moietymoiety – 64




para Raul Macedo





a proporção
do que em mim
resta-me
do que de ti
taxa-me
inda a demarcação
o que molda
segue a moldar
a unha suja
o nariz
um que fica
a tua vinda
a minha boca
continuamente
em toda a tua
agitadíssima
proporção









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