sexta-feira, 26 de julho de 2013

moietymoiety – 63



para Raul Macedo




nunca se saberá como uma metade acolheu a outra
o como da separação para que duas
e quando
é mais essa metade de uma das metades que
juntas
jamais duelariam pela minha integridade emocional

eu fui nascida
e não há muito o que se fazer, Raul














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quinta-feira, 18 de julho de 2013

moietymoiety – 62





eu vinha caminhando descalça e pela terra
uma metade minha vinha
seguida da outra metade que vinha
até que a lama
e uma só metade se firmou
não querendo de forma alguma
significar com a outra
e eu vinha
até que não











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moietymoiety – 61




para Raul Macedo



se não me colo à perda
onde vou parar, menino
deixe que as pessoas me olhem
não posso me descachar
olhos de cão
olhos de cão, menino
dirão
em momento respeitoso
essa vaca perdida entre os meios e os pombos

eu sinto raiva
eu me sinto toda raiva
quero o meu Pai
quero a tua Mãe e o teu Pai
quero o teu cachorro e a tua irmã
quero tanto te descabelar

sou mesmo essa vaca perdida entre os meios e os pombos









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segunda-feira, 15 de julho de 2013

moietymoiety – 60



to Ruth Stone



to love the brush
loaded with red paint
one is the frame edge
It is a way to love
a fire eater
elected distraction by the painter
but who is afraid of silences and fury on that corner?
Well, I am afraid
‘ll soak it finally
to know that your lips hang down to die in order to do the painting


It will all remaining the same.
It will not even be a painting at all.










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terça-feira, 9 de julho de 2013

moietymoiety – 59



para Raul Macedo




qual metade chega-se primeiro ao teu cabelo? despovoadas que somam para que ao porte. mas qual, Raul? não quero anunciar. quero portar. deixa-me portar o teu cabelo. quero ser as primeiras e as últimas ao teu cabelo. mas qual minha metade trapaceará a outra.

que a dúvida seja suave quando nos teus cachos, meu menino. e nos bastaremos ao todo. ao todo, Raul Macedo.










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quarta-feira, 3 de julho de 2013

moietymoiety – 58





para o meu menino, Raul Macedo



estou me dobrando pela dor
antes eu me dividia em duas para que cada parte sofresse separada
mas agora me dobro
quero chorar tudo o que for choro
porque amanhã
pretendo ser garça de origami

daí vou poder boiar sobre toda a dor que chorei
seguir um rumo de garça que boia cheia de graça
cheia de penas e cheia de graça
botando ódios pela boca



(21 de março de dois mil e treze)












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