sexta-feira, 29 de março de 2013

Nichos/ Cor de burro quando besta?








ando sonhando com tecidos
acidente de panos
todos os tons bestiais do vermelho besta
inda o gesto dos sustos e alegrias
procuro
agulhas
linhas
assim
baldes
tantos baldes, meu Deus
diferente disso e assim
preciso de baldes
e é horrível











§§§






(grata, Claudio Daniel)






quarta-feira, 27 de março de 2013

Raul Macedo / teu rosto é um santuário – 4






falam de que
até que completemos sete
até que enfim
sete
até que o mundo mova-se até sete
o eixo
a aturada ordem
contam sete desde

Raul vive comprido
longuíssimo
todo molhado de feixes
todo da luz da mãe e do pai e da irmã
todo molhado de feixes
já vai iniciar-se em mar
Raul vive cumprindo o azul
de sete em sete
por tudo o que entre
vive rindo o Raul


falam de sete
mas o povo fala tanto que tanto
e tão generosa a risada do Raul 

*agora seu quarto parece impregnar-se de um cheiro bom de mato...







*trecho de CONTINHO À MANEIRA DE KATHARINE MANSFIELD, Manoel de Barros




terça-feira, 26 de março de 2013

Raul Macedo / teu rosto é um santuário – 3







de joelhos, Raul
te digo
te falo
sobre asneiras
de joelhos
para que 

o que desanda em mim
dobre sobre por sobre
em fracos argumentos
para que eu te diga
Raul
de asneiras e criancices
para que eu te fale, Raul
de joelhos
te diga
te ore
para que eu te fale






segunda-feira, 25 de março de 2013

Raul Macedo / teu rosto é um santuário - 2






agora podendo todo o conteúdo deitado ao silêncio
o menino informa
a garantia do verbo na flor e na pele
a constituição é a ordem e a desordem das línguas

desbocadas 
peroladas
constituintes e anfigêneas
o menino informa
o menino informa e torna a informar

o menino torna
ah, o menino adora tornar





sábado, 23 de março de 2013

Raul Macedo / teu rosto é um santuário - 1








tantas coisas permanecem preenchidas de intenção
tantas permanecem
não é um desastre o teu rosto tão perto do asfalto
nunca será
aceito a minha e talvez a tua pressa
é da pressa o direito a vida
ao nome que nos dão
ter de perder para a consciência
entidade fria
ter de perder para a consciência o nome, as chaves de casa
pois é que tantas coisas permanecem
não é terrível o teu rosto tão perto do asfalto
despir o corpo das margens
levantar-se e rumar outros senhores carinhos
eu sempre te amei, te amo
então é da minha absoluta pressa o direito ao amor que esfolará a tudo o que em mim dirá


resto 



resto









quinta-feira, 21 de março de 2013

moietymoiety – 26








not half
I want the whole rumor









(série do larCavoDica a ser postada também aqui) 








§§§




e tendo a honra de participar da atual edição da ZUNÁI


(grata, Claudio Daniel)




moietymoiety – 25





long ways to halves
they are for the party
getting through grief
means glancing
sidelong to sidelong
one 
armpit for each half 
and your mother is not your father

come look at the mirror and see:
we're not well
there is no window to play half death.











(série do larCavoDica a ser postada também aqui) 






§§§




e tendo a honra de participar da atual edição da ZUNÁI


(grata, Claudio Daniel)




moietymoiety – 24





se quiseres esta metade também
não há vergonha em fingir trocar pela outra
nem vulgaridade
ficar com as duas
parece
ou sim
alguma indelicadeza
mas e daí?
que guardar-se nestes bules
um dum tanto
esse tanto de tudo
só para nós ambos
seria sacanagem?
e daí?
daí que faremos esse chá para duas metades
separadas
o resto, como disse a velha bichota sabida, é torrão de açúcar e silencio.














(série do larCavoDica a ser postada também aqui) 







§§§





e tendo a honra de participar da atual edição da ZUNÁI


(grata, Claudio Daniel)




quarta-feira, 20 de março de 2013







meu menino, meu poeta mais que querido, tão mais que menino

Raul Macedo

faleceu nessa madrugada de 20 de março de 2013






aqui e em tudo o que é vivo

meu respeito e admiração pelo menino e sua obra








“ENTRE AGORA E OUTRO POEMA, AGORA.”

§ Raul Macedo §





te amo, musinho.



terça-feira, 19 de março de 2013

moietymoiety – 23






só metade não faz corpo da sombra de que preciso
nem a tua metade me perfaz
farpada antes da árvore
meio pra lá com boi por entre
e nenhuma manga a cair por mim
sítio besta
besta 












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§§§





e tendo a honra de participar da atual edição da ZUNÁI


(grata, Claudio Daniel)




moietymoiety – 22






metade da noite passada eu dormi para este lado e metade da noite passada vai-se com o que eu digo agora. quem fica? quem foi? a noite inteira eu dormi sem você. sou essa mulher amarrotada, passada, descoberta.












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§§§




e tendo a honra de participar da atual edição da ZUNÁI


(grata, Claudio Daniel)




moietymoiety – 21






what is the meaning of the means grater?
well, well
it means
you know nothing at all.










(série do larCavoDica a ser postada também aqui)










§§§



e tendo a honra de participar da atual edição da ZUNÁI


(grata, Claudio Daniel)





moietymoiety – 20













(série do larCavoDica a ser postada também aqui)




segunda-feira, 18 de março de 2013

moietymoiety – 19





here I paused
my mouth in the middle color
your eyes in my bloom lips
I've came
feathering my fears
looking for myself at half words











(série do larCavoDica a ser postada também aqui) 








§§§




e tendo a honra de participar da atual edição da ZUNÁI


(grata, Claudio Daniel)




moietymoiety – 18









(série do larCavoDica a ser postada também aqui)




moietymoiety – 17










(série do larCavoDica a ser postada também aqui)





moietymoiety – 16





(série do larCavoDica a ser postada também aqui)


moietymoiety – 15






lie.
words are not half striking.
which part I've been lying to?
I did embody the essence of a single dark half of mine.
lie.
halves are not completely evil.






(série do larCavoDica a ser postada também aqui) 







§§§






e tendo a honra de participar da atual edição da ZUNÁI


(grata, Claudio Daniel)





domingo, 17 de março de 2013

moietymoiety – 14






essa força não é minha.
de noite era praça
e de dia era de dia.
mas essa força de forjar crianças soltas,
nem inteira e nem biscate,
essa força nunca foi minha.







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§§§




e tendo a honra de participar da atual edição da ZUNÁI


(grata, Claudio Daniel)





moietymoiety – 13






a taça está meio cheia
sua borda de meia paisagem do ponto em que eu
após o deporto 

seremos um caso
de meios
e por manias e maneiras passaremos
um pelo outro
como se nada









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sábado, 16 de março de 2013

moietymoiety – 12






o raio é posto, parada e rio
não chegam os olhos ao nó da garganta
quando de lado a vida
o corte é trilha carcomida e zarolha
inda me sobra te dizer assim:
venha comigo, deixe o cavalo ao meio, de nada adianta, deixe o cavalo comigo.








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moietymoiety – 11





maintenant ta bouche
par les moitiés
imaginez maintenant
votre bouche
par les moitiés
maintenant invaginer
votre bouche
moi-même
par les moitiés
imaginaire












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moietymoiety – 10




un pied est un pied
deux pieds sont des pieds
un pied mouillé
est la moitié du lac asséché
l’autre moitié est debout dans le monde des pieds
courir
courir
moitié
après
majoré de la moitié
puis plus







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moietymoiety – 9



ficar é saber
dizem
que todos os objetos ficam
as metades, se ficam
não são
dizem
e dizer já nem é
dizer não fica
nem vai
sabe-se que não
e que dizer só integra ao nada











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sexta-feira, 15 de março de 2013

moietymoiety – 8




mantillas de paja facturan
ningún consuelo
plagias de la seguridad
mitades e mitades
de la voz perfecta de la oscuridad:
USTED RECIBIRÁ
EXECIVA COSA
LOGRARÁ
SALGARÁ
CARACHA
CARACHA








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§§§






e tendo a honra de participar da atual edição da ZUNÁI


(grata, Claudio Daniel)




moietymoiety – 7




serão diversas as mesmas possibilidades?
e veja que doloroso será
com uma só ideia
espelhada noutra
cortar metade da cabeça.






                             (série do larCavoDica a ser postada também aqui)




quinta-feira, 14 de março de 2013

moietymoiety – 6





de tanta agiotagem
uma metade tolhe o verbo e fala pela outra

tem vez de ver
um ou outro ombro
tomando novos rumos, espessuras








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quarta-feira, 13 de março de 2013

moietymoiety – 5








what is whole in me 
greets the halves, 
                comes in half-truths. 
                         and gallops. 








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CaiXas/ formatando nichos – VII











com as chispas de outros encaixes
fotografias, luminárias modernas, bocas do subsolo
vai se fartando a que atravessa a porta
num apoio
entre todos os tacos

tudo que é brilho reto
pausadamente
à janela
debruça-se através

esta é a reza que cantam uns

esta é a reza onde a poeira doura e enquadra estações










§§§





(grata, Claudio Daniel)



moietymoiety – 4












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moietymoiety – 3









(série do larCavoDica a ser postada também aqui)




moietymoiety – 2







tem vez 
que 
o que nos reúne 
ao todo 
é a brutalidade de um hiato de ódio e de amor







(série do larCavoDica a ser postada também aqui)










§§§



e tendo a honra de participar da atual edição da ZUNÁI


(grata, Claudio Daniel)





moietymoiety - 1







alguém vai ter de medir e querer
e eu direi que não há nada pra levar
enfiando uma metade na outra vou dizer
que não há nada pra se roubar








(série do larCavoDica a ser postada também aqui)










§§§



e tendo a honra de participar da atual edição da ZUNÁI


(grata, Claudio Daniel)





domingo, 10 de março de 2013

ZUNÁI - Revista de Poesia e Debates





Tendo a honra de participar da edição atual da ZUNÁI com este e mais outros tantos poemas:




um lenço no adeus

apostando trazer o meu aceno
para o meu ermo
/enquanto preparação
sou nada
nada de muito andamento no desespero/
caio como uma aflição, final aos trilhos desta estação sem fusão de ferro ou folhas




PASSEM LÁ! 
A ZUNÁI É UMA PANACOTA! (não gosto de manjar)





GRATIDÃO E BEIJO ENORME AO CLAUDIO DANIEL.




sexta-feira, 8 de março de 2013

NICHOS/ Disciplinares – Anatomia Forense





era pra eu ser mulher de morar, mas sou amável.
era pra eu ser deparável.
mas sou odiável.
sou serial e sou adjetiva demais. era pra eu ser de morar, mas sou oxidável.













§§§









segunda-feira, 4 de março de 2013

NICHOS/ Disciplinares – Matemática








tão feio o pé do homem
e ter essa ideia estúpida de me sentar à mesa
com o homem
contar sobre os seus dedos
usar somente
a balsa da conversa entre os olhos
como que um concerto de tambores desafinados
tentam a TERESINHA
frouxos
mas tão feio o pé do homem
do primeiro e do segundo e do terceiro
ânsia de acabamento
amola minha boca
degreda a esperança
mas a ideia estúpida de me sentar à mesa
com o homem
e me derramar, me deslizar dum todo ao tanto
e para baixo
lá o pé terrível
contando generosidades
podia ser
soma de probabilidades
mas não quer




§§§