sábado, 21 de dezembro de 2013

moietymoiety – 84




sou o dedo feio
entre a boa moral e os bons costumes
minha dádiva plástica como cristã
falo da pimenta
falo da pimenta

então
secretamente
aperfeiçoar a envergadura dissos que falo














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sábado, 14 de dezembro de 2013

moietymoiety – 83






se eu esticasse uma metade de mim
se amputasse toda a galhardia, uns ovos
se me aproximasse, aflita, dum complexo jeito de subdividir meus medos, a fé
indizivelmente eu estaria maldizendo
a gêmea que não vingou
e seria exonerada da culpa, das raízes de ser inteira coisa?







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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

moietymoiety – 82






que nem peixe
meio livro e meio
do meu corpo
me alonguei
morri molhada
meio livro e meio
abobalhada
afeminada
e o eixo do meu todo já não era o meu nariz












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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

moietymoiety – 81





ao meio eu me perdia
leitoa absurda
meia capa de meio porco
absurdo
me perdia
um bicho
absurdo
uma luva
absurda
lenta
ao meio
da mesa
ao lado do cutelo










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domingo, 1 de dezembro de 2013

moietymoiety – 80






fixação que uma metade tem em faltar à outra
e a outra
a mania que tem em procurar as mãos
estalar os dedos
bater palmas nos momentos sisudos

meio cisco e meio
e a vida segue o garfo que segue a boca que segue a respirar











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sábado, 23 de novembro de 2013

moietymoiety – 79




guardo
uma meia-lua
numa
minha mão
durmo
sobre a responsabilidade
numa grota fincada
ao resto do cenário
arrombado


imediata
minha outra
a mão
firma o nó
numa minha grota
a garganta
já vencida do pudor
este meu









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moietymoiety – 78





é meu aniversário
deixa-me sujeita a
sou tão amável
sou portanto amável
já disse
no sentido de que pode-se
é perfeitamente possível
me amar
sou uma sujeita
eu sou












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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

moietymoiety – 77




tem vez de pensar VIGOR
pensar INEXORÁVEL
e nada ser espelho ou caco disso
e vez de pensar NADA SE SALVARÁ
pensar TUDO SE EMBOSTEIA








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§§§















Grata, Silvana, Mariza! Beijo imenso, meninas!



segunda-feira, 11 de novembro de 2013

moietymoiety – 76





succeed that my hair is to attached to this hand of mine
happens that succeeding is to more chic that happening
then
succeed that
my hair is very attached to this hand of mine
my wife cries
BREATHE, BREATHE!
and
what succeed is that I do breathe
but the hand
succeed to be
still there
a completely unsuccessful trial

my other hand succeed to be fine.










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§§§











Grata, Silvana, Mariza! Beijo imenso, meninas!


terça-feira, 5 de novembro de 2013

Escritoras Suicidas
















Grata, Silvana, Mariza! Beijo imenso, meninas!




moietymoiety – 75





fica cativa da doçura
(meia lágrima de vaca
tendendo a refinada taça)
o refinamento
o refinamento
(fica nua e cava
meia lua e cabaz
sobe o teu rosto
corrompe tua testa)
fica cativa a doçura
o refinamento que dura
a formosura e a joça
fica cativo o que dói









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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

moietymoiety – 74








para Raul Macedo




ter a mão
inteira
meia canção
inteira
dedilhada a zona de paladar e de tenção
toques de línguas em contradição
chispe cortante cortado
ventre, ombros, átrio entortado
a meia mão
a meia mão
chispe, chispe


e há quem chame a isso
TOCAR PANDEIRO, Raul!












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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

moietymoiety – 73





lamber uma meia mão
polvilhar com terra
e deixar
crescer o que for
nem que cresça mais meia mão
um guidão
um volante
uma fábrica de tortas espécies de flor











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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

moietymoiety – 72




dizem que só em pousar meias mãos sobre o livro
acontece
mas não dizem o que é
deve acontecer coisa incerta
ou merda de passarinho
e também não dizem qual livro que é
deve acontecer coisa intestinal que ninguém vê
ou merda de passarinho
deve ser
é o que dizem
perece
e dizer, todo mundo sabe dizer












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terça-feira, 15 de outubro de 2013

moietymoiety – 71




para Nina Rizzi





penso meia janela e lá estou eu
acenando a encharcada língua aos marinheiros do sertão
dançando pelada no beiral
quase caio
quase morro
quase modos de ser inteiramente uma tua dissolução














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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

janelas para onde der – 5



de dar dó
batizadora
eu
abro 

para fora 
e aqui
essa pequeníssima janela ao dia da hoje:



batizadora
eu
de dar dó
chorando em público
pelada
aberta pelas tripas
tão aberta quando o peixe aberto na banca de peixes pelados
um quadro adventício, bonito, melancólico-cogente e com os olhos jogados numa lata de iscas para moscas



terça-feira, 24 de setembro de 2013

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

janelas para onde der – 4








um dia abro a janela das coisas que ninguém vê quando o mar corre se atrasar.

abro nada.

um dia abro e sou açoitada pelos passarinhos marinhos. 

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

janelas para onde der – 3




hoje reparei nos dias, que não hoje, por exemplo, nos dias em que a janela entrega-se toda abertura para um sol maior, bem maior e mais barulhento, mais barulhento que realista. não hoje, por exemplo. gago. insistente. mais destrambelhado que mentiroso. um tanto perverso.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

janelas para onde der – 2




ele fechou a única janela. bateu a janela. eu era a vendedora de ameixas secas. ou era eu a minha inteira negação. ele fechou a janela. bateu. deitou as grades nesse nosso espaço sem o tempo da perdição. eu era a ameixa seca ou a mais abestalhada negação. daí por diante, era me abrolhar. era me abrolhar e buscar no mapa enxovalhado uma mancha que gritasse num azul, assim:













§§§









(outra vez, muito obrigada pela oportunidade, Pipol!)



sábado, 24 de agosto de 2013

janelas para onde der - 1










uma que dava para o moinho. Isabela olhava de manhã, o moinho parado, de tardinha um naco de vento e o moinho ia. voltava de manhã pra ficar parado. e Isabela comia, triturava maçãs, santinhas as mastigaduras dela, rabo de sardinha, a borrachinha do lápis. tinha um tanto de raiva do moinho. no mais, Isabela era calma e comia. tinha hora de rezar, mas comia.




terça-feira, 20 de agosto de 2013

moietymoiety – 69




para Raul Macedo




uns destinos
e será
e depois mais algum
acreditando alguma figuração do teu couro
sacolas de ter

como pode
meio gemido
escondido
feixes de luz nas entre moitas dos teus cachos
metade e metade e metade e outra que leva a sacola de pão

algum cabelo também
um coração que me bate tanto

levo na sacola de palha
uma coisa de solidão
de susto descrito em pão
muito do tempo da tua primeira risada







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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

moietymoiety – 68



para Raul Macedo




metade gritada triste
metade sorriso amuado
ida para não sei onde
tropeçada
atraindo satélites do quê

(é tanta saudade, Raul)
(é tanta Lua com você)













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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

moietymoiety – 67




todo o mundo se admira

em ver uma metade da árvore crescendo junto

dessa outra metade

mas ninguém admite

mas ninguém chora sobre










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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

moietymoiety – 66




eu era um objeto
já fui espaço
já tive aura de gente
já dei de ser um fardo
já dei e dei e dei
um próprio fardo
eu dei
mas eu gostaria de ser metade duma pintura
este estudo biológico sobre a sombra
queria volta a ser
objeto no espaço
à meia luz
fixa
minha meia sombra
e disso
o que juntasse em musgo dentro do contorno da meia sombra
fixa
o sol fixo
meia fixação

as pombas da praça não param de olhar














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moietymoiety – 65




na meia cuia da palavra
um tanto querendo a tudo
a língua travesseada a seco
dizendo meias ordens travestis


- eu te amo é ordem, Pai?

- não fala viadice em casa menino!








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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

moietymoiety – 64




para Raul Macedo





a proporção
do que em mim
resta-me
do que de ti
taxa-me
inda a demarcação
o que molda
segue a moldar
a unha suja
o nariz
um que fica
a tua vinda
a minha boca
continuamente
em toda a tua
agitadíssima
proporção









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sexta-feira, 26 de julho de 2013

moietymoiety – 63



para Raul Macedo




nunca se saberá como uma metade acolheu a outra
o como da separação para que duas
e quando
é mais essa metade de uma das metades que
juntas
jamais duelariam pela minha integridade emocional

eu fui nascida
e não há muito o que se fazer, Raul














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quinta-feira, 18 de julho de 2013

moietymoiety – 62





eu vinha caminhando descalça e pela terra
uma metade minha vinha
seguida da outra metade que vinha
até que a lama
e uma só metade se firmou
não querendo de forma alguma
significar com a outra
e eu vinha
até que não











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moietymoiety – 61




para Raul Macedo



se não me colo à perda
onde vou parar, menino
deixe que as pessoas me olhem
não posso me descachar
olhos de cão
olhos de cão, menino
dirão
em momento respeitoso
essa vaca perdida entre os meios e os pombos

eu sinto raiva
eu me sinto toda raiva
quero o meu Pai
quero a tua Mãe e o teu Pai
quero o teu cachorro e a tua irmã
quero tanto te descabelar

sou mesmo essa vaca perdida entre os meios e os pombos









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segunda-feira, 15 de julho de 2013

moietymoiety – 60



to Ruth Stone



to love the brush
loaded with red paint
one is the frame edge
It is a way to love
a fire eater
elected distraction by the painter
but who is afraid of silences and fury on that corner?
Well, I am afraid
‘ll soak it finally
to know that your lips hang down to die in order to do the painting


It will all remaining the same.
It will not even be a painting at all.










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terça-feira, 9 de julho de 2013

moietymoiety – 59



para Raul Macedo




qual metade chega-se primeiro ao teu cabelo? despovoadas que somam para que ao porte. mas qual, Raul? não quero anunciar. quero portar. deixa-me portar o teu cabelo. quero ser as primeiras e as últimas ao teu cabelo. mas qual minha metade trapaceará a outra.

que a dúvida seja suave quando nos teus cachos, meu menino. e nos bastaremos ao todo. ao todo, Raul Macedo.










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