quinta-feira, 29 de novembro de 2012

игрушки/ Soldados.Pedras.Massa de Farinha.Barro.Pano. – 13







coitado, mal existia.
e começou a medir, a comparar tudo com a distância daqui até a lua.
o mais longe que seu cuspe podia.
as linhas da caixinha de costura da mãe.
o amor por Rachel.
as escadas que subira.
o cabelo, não tivesse podado tanto.
as frases dos poucos livros que tentara.
o amor por Rachel.
as listras do edredom zebrado.
seus molengos passos, seus molengos passos e ao todo.
as lâminas, numa rasa fileira, que rapelaram a sempre quase barba, sempre quase, seu amor por Rachel, como se com soma das medidas pudesse fazer alguma eternidade aos 42, onde, coitado, mal existia.






quarta-feira, 28 de novembro de 2012

cabaças/ como explica o que dança em Pina – 1



         para Pina Bausch e para tudo o que dança em Pina.




seriam cubos de gelo
lascas de rocha
pedras de rua
seria coisa de gente
não fossem gotas moldadas no cuspe
que desaguam das pontas dos dedos de Pina

pequenos embrulhos
perigos supurando outros
conservados
nessa espécie de âmbar caseiro
o cuspe

roxos estados de estar de estar e de tanto vir a ser
rosas-marinhas 
na extensão do que rosas-marinhas inchadas
voando duro a ponta de cada fio
de cada cabeleira
como explica o que se dá aos ângulos das costelas todas de Pina

ai, as costelas de Pina
a espinha de Pina na garganta de quem engasga os olhos
os olhos que já não podem mais e querem e não cessam desejar
e cospem a Pina

a Pina
esta que seria
lasca de gente

coisa-marinha






sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Nichos/ Niniréquiemmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm











COMO SÃO BELAS AS MIRAGENS NA FUMAÇA DUMA BOA TRAGADA NUM BOM CHARUTO.
ESPECIALMENTE EM ÉPOCAS DE COMICHÃO, ELABORAÇÃO E CONTRAGOLPE AMOROSO.

sábado, 17 de novembro de 2012

Nichos/ PetNicho XXXIII








arrastadamente
serenos
entre os lindos objetos que nos rodeiam
 /sapatos, bijuterias e cartazes vintage, chapéus, xícaras e bíblias retrô/
num escuro sereno
nós, serenos
entre os objetos que antigamente já nos rodeiam
coincidir nossos ouvidos com os trinta minutos da canção de amor da jubarte macho
donde
arrastadamente
serenos
novos elos vingarão









quinta-feira, 15 de novembro de 2012

GnosiS/ Sinais do Quê – 9




não pise na formiga
na palavra viva
demorar-te-á o freio em lamentar
dirá de baleias mínimas
encalhadas nas tuas costas
tanto sal
tanto sal, minha senhora
enlouquecerás
quanto de sal para criar vidas
formas antigas
nenhuma pessoa
formigas?
inda desnutri-las para salvar
subcutâneas feridas
caminhos
queres e não queres te ambientar
que neste lugarzinho
antigo-antigo
se encaixam, perfeitamente, migalhas da tua língua
inda a mínima ansiedade é montoeira viva
eu poderia dizer o teu nome, amiga
porém a cultura inimiga
prolifera antes que eu o diga
é saudade viva
que tanto-tanto ao teu idioma 

formiga









segunda-feira, 12 de novembro de 2012

игрушки/ Soldados.Pedras.Massa de Farinha.Barro.Pano. – 12












e fizeram essa longa fileira de cadeiras e banquinhos 
para que a possibilidade
atravessasse o mar de brinquedos




sexta-feira, 9 de novembro de 2012

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

PARLATÓRIO/ A Escultura, O Escultor – encomenda n°19



 
abraça o cochilo de Aldo ante a imensidão em pedra:





teve a vez em que eu fui uma Vênus
do tipo mais comum
de olhares postos na cerração

paguei meu tempo com o meu tempo
segundo contas em horizontes
era intocável, nua, burlesca aos Domingos
havia de carpas japonesas nadando a barra do meu vestido de epopeias em fins
era pérola
era espinha de peixe
era pau crescido sem vento
era ceder ao único pensamento
após este 
único 
pensamento
era ceder

sem demagogia
não há estátua que se faça reta

e teve a vez em que fui Eros
e teve a vez em que fui busto de Platão
  e como me coçava a língua, Aldo, 
  como me coçava a língua em Platão ser.




sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Nichos/ PetNicho XXXII



                                     para Inger Christensen





ouvia cavalos

lavava roupas

ouvia cavalos suicidas

lavava roupas conhecidas

ouvia e lavava cavalos pelados de qual fé, meu Deus?

e morreu
ali mesmo, morreu ela.

ela que, meu Deus, morrera ali
como no abismo da pelagem de quem morre?