sábado, 28 de abril de 2012

Nichos/ PetNicho XXIII





O pombo é pombo e pronto. Pronto pombo com um ramo-da-paz ou sem. É pombo. Já o pombo-correio é vizinha lava-faladeira, leva-e-traz inda a mania de sair selando horrores de guerra e ou paz, notas, falências e ou súplicas de amor e ou guerra e paz, falências, falências. E tem também a louca pomba mágica, cartoleira, tem a pomba fina, dita PerdiZ e tem a pomba macha. A pomba macha, que não é pombo, essa pomba rola, a outra não. A outra gira.
De qualquer forma, pombo é bichinho de Deus, dum Deus com pulgas, são e são bichinhos cagadoiros e dignos da pipoca caída.
O ramo é que vale o pombo que leva manso, tão manso que leva o quanto vale e ou pena. O ramo.






Depois desta cheia

Depois desta cheia
gostava de ver a pomba,
e nada além da pomba,
ser salva uma vez mais.
Afogar-me-ia nesse mar!
se ela não escapasse,
se ela não trouxesse,
no último momento, o ramo.
        Ingeborg Bachmann 





sexta-feira, 27 de abril de 2012

NICHETINHAS/ ninguém é de ninguém – 1





No vilarejo Pelado, a quem dava o ArdumeSafadeza, era recomendada a garrafada-tartarucedrosa, que era a garrafa criada desde de pequeninha com uma tartaruguinha-teta dentro e alimentada de alga da parte mais salitre do mangue-da-benga, de forma e maneira e acordo que a tartaruguinha-teta se inchasse-se toda não podendo asair-se da já adulta garrafa e morrendo ali, onde justa e providencialmente, era despejado o rum criado em barril de cedro resignado e cego, jazendo, assim, a garrafada-tartarucedrosa, Santo remédio para quem sofre do ArdumeSafadeza.







segunda-feira, 23 de abril de 2012

PISCA-PISCAORACULAR/ orbes-de-artifício – 15

Ai, a noite no fundo-fundo das esfumadas taças dos teus olhos
organizing me on
On our blessing Regina Spektor, meio a abajures, EnxameDeAbelhas, EnxameDeCaravelas, coqueiros,bananeiras, GatinhosAcoelhados, tudo-tudo no mais puro e gratificante neon.













segunda-feira, 16 de abril de 2012

CaiXas/ formatando nichos – III




Nhô Jão deixa o Box, enxuga ao Corpo, hidrata-se inda Veste-se a la pipette(?). Nhô Jão coloca na Maleta Axadrezada, três mudas da Roupa, hidratante mais a Caixinha de ferramentas para o devido cuidado pedicuro. Ele embarca no Último Trem para Sirtokkrosit sentando-se sob a última Janela da Direita. Em Lá, Nhô Jão instala-se numa das tantas Hospedarias da Rua Trokis Ritosk ao Quarto 21 e, dali três Noites, despe-se de todo pano e pêlo, finca a lixa de aço primeiro na Aorta então na Jugular, suicidando-se enfim na Cidade de Sirtokkrosit, Onde a madeira para Caixões ainda provém das dignas e Clássicas Macieiras e Onde cupins, vermes e fervorosas viúvas, pois que pecam tanto na pronúncia de Sirtokkrosit, não chegam Nunca e Nunca e Nunca.

sábado, 14 de abril de 2012

REZADONICHOPESCADÔ/ Voltas Aos Montes – De Três em Três, Marias – X



Mariclélia
   Venho sendo arestas. Venho sendo conventos em plena casa inda arestas. Devo vir a ter de ruídos, sendo vão. Posso mesmo ser fenda, pombo tendendo a frestas, arestas, conventos em vão.


Maredith
   As árvores de dentro perseguem meu corpo pela casa. Meu dote pela casa. E ninguém entre as árvores, nenhum dos galhos, sequer um ranger entende do como eu declino a pombo estatelado na vitrina de sombras e folhas da própria bruta perseguição.


Maricota
   E partir ao meio o depenado bichinho. E temperar a rósea carne com algum vinho, tomilho e sal e ter do ângulo onde o feixe de sol faz pequenininho um oceano entre imensas salinas, ante nossas arvorinhas de tomilho: Pequena fresta do dia: Crueldade de fenda divina.

Nichos/ PetNicho XXII



      E SEMPRE SERÁ PRECISO O PÃO DESTA AGONIA.
 Hilda Hilst

video


Foi comprar pão, o amor. Tropeçoso, desastrado como ninguém, o pequenino, como ninguém, tadinho. Sempre a implorar por migalhas do chão. Eternamente como numa eterna itinerante pioneira companheira compadecida igreja, nasalando chorinhos na fila da comunhão, o pobre, pobre-pobre e mais fiel miudinho operário da Vida e que atudo o que toca Formiga.


sexta-feira, 13 de abril de 2012

CONSERTANTESNICHOS/ PÁ AURICULAR – 6



musica é flor universal e que assim é
a saber-se do toque do orvalho, fluído rítmico universal, e cegos aromas como cegos em miragens dum paladar onde onze mil gramofones de mais de mil formas e cores gritam flores
de Vicente Celestino.












segunda-feira, 9 de abril de 2012

NICHOSDABESTIAGEM/ do frango; asas ou orelhas?




MEU TODO ENCRUZILHADO
 DE VEIAS
 DE NERVOS
INDA MINHAS MÃOS DE TANTO QUERER
 ESVAECIDAS
 MESCLADAS NADA...
AMOR,
 EM ESTAR
 A MODOS DE ANDORINHA
ESTAR
 DUM TANTO
 CHEGAREI
A TRILHOS E TRENS
E LONGITUDES ALÉM
DONDE A PARTIDA
A UNS NÓS SEREI
   BARULHO SEM ASAS
   MARULHOS DE NINGUÉM

(pois que é de canônica preguiça o verão de que sei)

Nichos/ AquaPlay – 7


De langor nas asas, nas línguas, na pressa. De aguadas memórias do dia, pondo salinas onde tocam, amolecendo aos rostos das senhoras e das crianças gripadas nos ombros e atrás delas, elas, inda elas. 
De amargar, o comportamento das bolhas no aquário que foi essa noite, esta passageira dum ônibus lotado, ela. Ela.
Não eu. Eu não.






PISCAORACULAR/ DESSES NICHOS TEUS – 18













    ‘Jamais perceberia que sua lenta e reflexiva passagem de quadro em quadro a transformava até me obrigar a fechar os olhos e lutar para não apertá-la nos braços e levá-la ao delírio, a uma loucura de correr em plena rua. Desenvolta, leve em sua naturalidade de prazer e descoberta, suas paradas e demoras inscreviam-se em um tempo diferente do meu, estranho à tensa espera de minha sede.’
                              
                                      Nhô Julio Cortázar
                                   em ORIENTAÇÃO DOS GATOS.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

NICHOSDABESTIAGEM/ que que foi? frango?

DE VERBO, SÓ
O FOSSO, VASTO, INFLEXÍVEL,
   DUM PARAR O CIMO NEGRO EM NEGRO, UM QUASE AZUL-ATEU.
COMO SE
COMO SE FOSSE UM CORVO
O TEU NOME
UM
DESAJUSTE
SOBRE O MEU.






domingo, 1 de abril de 2012

CaiXas/ formatando nichos – II





Ela
e é pleno o Quimono.
Ao Meio-Dia entra a Gueixa
a Caixa de Papel.

Tão Branca quanto,
  Teatro de sombras de mariposa indo a pele antes, bem antes da seda, a seda, depois as garças em púrpura
inda Códigos de garças com raposas que escorrem em mais seda e Memória de agulhas e Memória de Tanques de anil, Tanques de vermelho e Tanques de Memória sendo garças, raposas, Tanques.
Vão os Getas erguendo biombos de transparências
posteriormente aos mudos gritos no talco e
 miniaturas de Templos Samurais pendem do cimo do penteado como que rumando a silenciosíssima e fria Guerra na Orelha ocidental.

E até que o Obi faça-se
 antepassada Arca de maquiadas Eloquências,
 será
 primavera e Outono nela.

PARLATÓRIO/ A Escultura, O Escultor – encomenda n°11



ENQUANTO NÃO - II
   Estudos para feições destas partidas (quando for, Aldo, vai-se a velha Cortesã, ficam os nomes e os lençóis do quando for),( espera porém).




De viver enviesada
  a do corpo
  quer a pressa como compressa.

eu amo e o que eu amo é
de colher
fartas filhas, estampas de bicho e mais vermelhos.
amo e assisto no peito avesso
 a moela a triturar o que meus olhos sobre uns pássaros tumultuam.
eu amo e o que amo é fôlego e é corda
 inda de qual lado da muralha estaria eu
 que tanto amo?

De viver enviesada
 tenho a meu rastro
 como santo emplastro.