segunda-feira, 26 de março de 2012

LeakLeakOracular/ aceita drops, nêga? - 1




O olho direito não vê o que no esquerdo já tini.
Deus e em ter a chuva com janela em peixinhos de todas as espécies e moréias de água-doce, uma arraia, o perfil dum gago babuíno e, terminantemente, a cabeça dum formosíssimo ornitorrinco que, aliás, faz lembrar:
Amanhã cedinho será
   bolinho-de-chuva, chá gelado de casca de abacaxi com duas estrelinhas de anis e mais doze horas até que a novela com búfalos nela, absolva-me disso tudo, desse tanto.
Em nome de Deus, Serei.

PISCA-PISCAORACULAR/ orbes-de-artifício – 14











Tremulam, periféricos, 
inda já-já estarão entregues
 DiscosVoadores, presentinhos, laços de presentinhos, estrelas, âncoras
e meus olhos teimando 
 o buraco negro bem no meio do teu digno tão rosto.



sexta-feira, 23 de março de 2012

REZADONICHOPESCADÔ/ Voltas Aos Montes – De Três em Três, Marias – IX


Maria Eunice
   Sei a mesa, a cadeira, as risadas do mar.
Sei da mentirosa modéstia das minhas pernas e das minhas mãos e sei pousar de tempos sobre o colo.
Sei de simples simbologias marítimas e sei das âncoras nisso de saber.
Sei e nunca saberia ser outro intervalo que não este entre As Risadas, sobre a cadeira diante da mesa, este que nasce e morre e cresce a nascer.


 

Maria Eloísa
   Carrego uma mesa, uma cadeira, carrego a todos os segmentos das horas, seus rastros inda segmentos de areia-corrente. Vou ao nosso encontro como quem pinta as sombras bem antes e além do cenário, dum só risco. Carrego pincéis, paninhos e tintas, carrego a própria paisagem aquém. Há tanto e tanto a nós nos carrego
e paninhos e sombras e a mesa onde a areia é corrente no pé da espera.


Maria Cora
   Montar a mesinha de piquenique na areia, intangível a vida, a cadeirinha, inda a toalha inda o pão-de-alicrim, rindo baixo, intangível a vida, pôr na cintura uma das flores do arranjo e fazer cara circunscrita, mapeada, usar os dentes tendo o mar como refém testemunhal, que é assim, que é assim, uma vez ao mês, que é manter as náuseas de ser.

   

quarta-feira, 21 de março de 2012

Nichos/ PetNicho XXI





como se fosse Junho, vestiu a meia-calça xadrez e saiu por aí, como se fosse dama, como se nunca tivesse desejado ser baby-doll cor-de-pele, estola de róseas plumas, Valquíria de latex, ...
e isso tudo dava formas aos seus mais deléveis pensamentos em ondas de como se e como se e
como se nem fosse um tremendo perigo ter um mundo todo em como se.






    /daí a cara de casúlo, digo, carapulsa, dizem e parece que, digo, como se/

PISCA-PISCAORACULAR/ orbes-de-artifício – 13



         /por falar em lua/

Equinócio é mentira. Já anda a noite Celada a propósitos. Vê a Nuvem de montar trotando a horas. E ainda agora, Selo do Dia, uma verdade meridional será condensada:
Amanhã inda Amanhã inda Hoje, Amanhã:
Trote que, prontamente, vai morrendo de rir.






DIAPHRAGMATICOS/ velas o que capturas, instantaneamente, vês – 3







esboço de rosto feminino e senil, buraquinho num infinito negro muro, prova concretada da maior epistola do apóstolo Jorge(O São), vigoroso estêncil do Sol e ainda tem dia em que Celestina pode, escolher hora, via satélite (há!), de ser a primeira Lua a bastar o passo dum homem ou o salto duma perua humanidade.

domingo, 11 de março de 2012

NICHOS/ Um de Domingo de Querer






Queria
As chinelas
Azul-marinhas com bolotas
Descalçadas dos meus pés
E leio


Peço a ti uma frase
E ganho uma ameaça de vida, essa sentença de sorte


Queria uma frase para enrolar nos dedos
 Das mãos e dos pés
Queria poder todos os diamantes da tua boca
Queria ter pés mais albinos, dobrar a esquina
 De chinelas ou não
Queria, quero mais
 Dos pés e das mãos.




CaiXas/ formatando nichos - I




Caixas.
Caixas como Caixa para bigodes, Caixa de cílios, Caixa de sebo para penteado para os cabelos.
Dessas Caixas, cada Caixa para cada Forma de Osso, broche, uma para cada encosto, prata, peroláceas, ouro, várias, porém essas, pequeninas, para passos, Sapatilhas, Beijos e para peixinhos fritos nos Estaleiros e Caixinhas nacaradas para anzóis. Caixas.
Mas espera passar a primavera onde nada a nada se encaixa.



sábado, 3 de março de 2012

PARLATÓRIO/ A Escultura, O Escultor – encomenda n°10





ENQUANTO NÃO - I
   Estudos para feições destas partidas (um dia, Aldo, um dia morre o Senhor Diretor da escola ao lado).




Estaquei.
Estava a sede em minha altura.
Estava eu e minha cintura.
Vivia.
Às pressas dumas antigas mãos e pés soçobravam-se de chão.
Estava só e soçobravam-me pés.
Deixava-me um olho, um a calçar o outro.
Estava a sede na língua, à ponta, dita.
E as vagas mãos a sugerir ninhos.
A noite reagente.
E estaquei.
Ofertava-me só.
E minhas solas de mãos sem solavancos de ninhos.





PISCA-PISCAORACULAR/ orbes-de-artifício – 12














Condecorar ocasos com confetes e com a ginástica rítmica da serpentina.
Porque hoje de noite eu te amo tanto, ainda serei carnaval.


CONSERTANTESNICHOS/ PÁ AURICULAR – 5






           Tenho que enquanto a maioria festeja a cuíca afora, um de dentro, desse rubro samba, abre-se mãos e pulsos, corta-se dum tanto a vestir-se oco, a caber-se em desgostos tocando-se em dolorosos silêncios. CHORA O CAVACO QUANDO RIEM-SE SUADOS E SANTOS GORDOS SURDOS.