segunda-feira, 5 de novembro de 2012

PARLATÓRIO/ A Escultura, O Escultor – encomenda n°19



 
abraça o cochilo de Aldo ante a imensidão em pedra:





teve a vez em que eu fui uma Vênus
do tipo mais comum
de olhares postos na cerração

paguei meu tempo com o meu tempo
segundo contas em horizontes
era intocável, nua, burlesca aos Domingos
havia de carpas japonesas nadando a barra do meu vestido de epopeias em fins
era pérola
era espinha de peixe
era pau crescido sem vento
era ceder ao único pensamento
após este 
único 
pensamento
era ceder

sem demagogia
não há estátua que se faça reta

e teve a vez em que fui Eros
e teve a vez em que fui busto de Platão
  e como me coçava a língua, Aldo, 
  como me coçava a língua em Platão ser.




Um comentário:

  1. Esse estar em tudo dá um trabalho! Muito bom seu versar, menina Diacov!

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