quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Nichos/ Desmanche




soluços no escuro
onde sabe-se de formigas
de rastros nas paredes
o gato morto num canto já tomado
o gato parado antes do primeiro soluço
o rastro pelado
morrendo, morreu
pois que resolveu-se assim
um soluço no silêncio do escuro
silêncio
então pensa-se das todas noites ali
pendendo
aos soluços
talvez um espelho
oh, a serventia dum espelho no escuro
silente
sabe-se que você está vivo
morrer traria o soluço do mais
além
bem mais além que silêncio
e nascer
de surpresa
crescer como trepadeira
alcançar todos os cantos
ser devorado pelas formigas
morrer num último soluço
do mais e além
junto ao crânio do gato
ao lado do espelho
quatro crânios mais
quatro mil mínimos crânios
silentes
sem soluços
e bem antes de qualquer luz
após
e só após o primeiro soluço
pois que resolveu-se assim








2 comentários:

  1. O primeiro soluço guarda enorme reserva de perigo!

    beijoss

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  2. uma poesia cheia de luz, ínfimos e silêncios

    beijo

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