terça-feira, 11 de setembro de 2012

REZADONICHOPESCADÔ/ Voltas Aos Montes – Miriam






Vi a areia escorando conchas
para a tua volta nacarada.
Umas a insistir onde me desconecto.
Vi animais vindo aos ares
aguardando pelo teu abstrato rosto pescador.
Vi andorinhas ansiando a probabilidade dum futuro que talvez.
Apenas talvez. Talvez.
No fundo
o que espero pode findar-me a luto?
No fundo
luto por um luto que nem sei
mas a mim, me sabe a mim.
Preciso ser este luto
para ser eu mesma,
a mim.
Estar de luto
como o rochedo do azevinho
faria a mim
grão esmagado pelos outros,
por tudo o que te espera,
jarra, varanda, café,
a trincheira das aporrinhadas zínias, a janela, a janela.

Vi a areia escorando
conchas para a tua volta.
E no fundo quero ver o vento que desmantela dum tudo.
Quero ser e sou o estranho pólen, tão distante da terra, levado a miúdo por esta abelha que consola teus olhos então desova-te ao mar mais que aberto: infinito daqui, além, tão além de mim, eu que luto, laico luto enfim. Eu que já o sou.





§§§










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