quinta-feira, 6 de setembro de 2012

PARLATÓRIO/ A Escultura, O Escultor – encomenda n°16


"A work of art has no importance whatever to society. It is only important to the individual." 
Vladimir Nabokov 





   Desabafou-se da pedra, toda uma encomenda assim:

Por não querer
a sua própria solidão
o corpo toca-se em distâncias
porque distante sempre é o corpo do corpo
e por um momento
ou outro
esse
sobre os joelhos
cedendo em orações pelo mármore
reza o corpo
em modos tão poéticos quanto o outro
o que não
e já uma aurora, outra que não esta
uma tão perigosa de se cheirar
o pode regenerar
o corpo
de tatos escuros
remanejando-lhe a boca aos alentos dum talvez
e mais confiante
o possuirá
ao corpo
ainda que corpo, corpo e aurora
bem sabidos da longa noite que será
inda mais longa
metida a manhã
mentirá
fazendo fingir um
o corpo
ao lhe perguntarem onde esteve
este
que nunca voltará a ser
tal som
tão curto e duro
tão cansado e escuro
quanto o grito de ser
dupla pedra brutal indo amanhecer. 

   E concluindo-se, já, por estas mãos deporto, quase um:

Estamos em época de refrações e sem saber-nos dos nós da barrenta paz. Então a benção dos ossos e dos grilhões na cabeleira de vidro, Senhor, tão infindo e ao alcance desse nariz, Senhor.





§§§ 




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