domingo, 26 de agosto de 2012

NICHETINHAS/ ninguém é de ninguém – 3




escoro dias e tetas à tua janela.
uns sonhos, uns molhos, bicos.
/não sou de balbuciar minhas manhas/
porém,  em tardes de vento,  grito com as folhas que entram à tua casa.
grito
quando
tens da estrofe vagabunda entre minhas pernas
da flor obscura nos meus plexos.
grito
no entanto, estou para fora
escorando, de fora, ao para fora da tua janela.
as copas das árvores chegam a me aturdir
profundamente.
respirando, respiro a quê, mulherzinha suja?
minhas tosses que não ouço
e que derrubam-me as cores
descem essas coxas
num breve bater de orelhas.
o fumo disso e daquilo
e da madrugada
uma que a mim escurece.
o fumo a riscar gestos puritanos.
a sombra, escoro as sombras dos espigões.
eu, separada da minha própria corte.
esses ecos elusivos, molhados
esses cacos mal afiados
na carne duma madama tão fraca quanto o mole duma pomba dada a água-viva.
/uma pombinha dada/
mas o que estou a mentir?
uma Dona
uma madama falsa e tão fraca quanto o mole duma outra que não a trata.

daí que escoro.
e grito.










Um comentário:

  1. Estou tentando (desde ontem) postar e a imagem não carrega!!!
    FilhoDumMatherFuckerBlog!

    ResponderExcluir