sexta-feira, 8 de junho de 2012

Nichos/ PetNicho XXV





acendo inda apago.
guardo senão ao que desnudo para guardar, especificamente.
uma vez que me coloco em noturnos movimentos, me confundo com um mundo inteiro de madeira e cobre, meu e meio mole, um que desacertado do vermelho todo, corrido, desprovido, caga-lumeado.
fossem convertidas em duas ou meia dúzia, minhas vidas teriam corpos de esperança, seriam lamparinas de saber-me a que. 
fossem alongadas em tranças da crina duma égua só, eu mais eu, não sobraríamos e minha morte não ecoaria tamanho tanto.
acendo. inda apago. inda que.




4 comentários:

  1. Beleza de texto, assim vale a pena participar da blogosfera. Bj

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  2. "guardo senão o que desnudo para guardar"
    ritual que destrói os muros que nos separam de tudo e de nós, ou não fosse a nudez o gesto genesíaco mais próximo da verdade. tudo o que guardamos e nos guarda deve permanecer nu, virginal, porque descascado pelas mãos que lhe adivinham as formas e os contornos. tudo o mais? resíduo tóxico que procura iludir, como o pirilampo esquivo, ora acendendo, ora apagando. faço faróis das retinas e barcos do corpo; ainda irei a tempo de saber marear?

    beijo, carla!

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  3. que o estrondo da morte dê valor aos silêncios presos à vida.
    beijoss

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