sábado, 19 de maio de 2012

A CASA DA ORDEM,DOS MODOS,DO AMOR E DA PAIXÃO – estada 5





    E COMO CAI A NOITE, CÉUS, AOS MONTES. DE CERTO, CAI.

CAPELA
Oro.
Cubra-me a cara com falsas flores.
Não me sinto preparada para o tempo.
Tranque-me nos meus mantos.
Fugidia de mim
revogo do lírio o convento.
E temo ser o paraíso nada além de um pensamento;
LUMINESCENTEATROCIDADELUMINESCENTEATROCIDADELUMINESCENTEATROCIDADELUMINESCENTEATROCIDADELUMINESCENTEATROCIDADELUMINESCENTEATROCIDADELUMINESCENTEATROCIDADELUMINESCENTEATRO.
Noiva de vitorianas intenções
Devota do vinho me privo douta das orações.
Pelo Amor de Deus,
(a Paixão é de Cristo) pregoa-me os pulsos.
Pois tudo destoa do projeto primordial.
O intelecto humano já evoca o animal.
Me saltam justo a égua-da-noite e o pecado mais que original.
Rebatiza-me não. Rebatiza-me o nome.
Destrua-me na noite, essa sala negra, esse ventre sem corpo, essa missa banal.
A podre aflição de ser
sem Modos de como querer o que é vão deter.
Apague as velas e esqueça tudo o que eu rezei.
Cobrindo a tua boca eu vou orar de novo;
Oro;
A honra é um rosário de carvão.
Novena no escuro,
Cada mancha é uma verdade
de falsária sobriedade e contente insinuação.
Sinto a paga milagrosa da promessa que nunca fiz.
Os Modos me puxam pela orelha e mostram a de fora, a no altar.
A EU-Rogada em brilho, coroada a micro sóis.
A EU-Abençoada pelo hino róseo dos pervertidos rouxinóis.
Mas aquela não sou eu, aquela é uma ofensa que um Amor me deu.
Aquela não tem chagas. É inocente, serena.
Cubra-lhe logo a cara.
Ela é uma de mim que nem em mim é Carla.
Açoita-lhe a doçura. Aferroa-lhe o cerne.
Desbatize esse malvado nome.
Temo. Por tudo o que eu pretendo,
Aquela do altar quer varrer minha Santa fome.


O QUADRO NA COZINHA
Paixão(mordendo os beiços) – Óvnis.
Modos(cruzando seus braços todos) – Encaixes.
Ordem(desviando seus todos olhos) – Bolas. Nunca cessam. Três horrores com medo algum.
Amor(batendo suas tantas palmas) – Um potinho de açúcar, outro de canela e outro de gengibre. Vieram flutuando para o chá da noite que volta a cair-nos aos montes.


SÓTÃO
Sótão trancafiado onde só o nada entra e nada sai.
A Ordem determina:
O Amor precisa de segredo.
A Paixão sem curiosidade se esvai.


QUINTAL
Miosótis, miosótis
Florinha do aquém
Refazei-me os Modos
Amém.
(as palavras remontam uma arapuca. O Jardineiro anoitece.)


O QUADRO NO SALÃO PRINCIPAL
Eu – Ai.
Modos – Elvira. Uma danada.
Ordem – Faltam os olhos, digo, dois deles.
Paixão – E sobra inchação. A coitada tem o punho mais largo que o pescoço. Isto está mais a Tarcila, parece.
(...) 
          ...

Um comentário:

  1. Na minha capela também não cabem orações.
    Impressionante a sua. Afiada!!
    Beijoss :)

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