sexta-feira, 23 de março de 2012

REZADONICHOPESCADÔ/ Voltas Aos Montes – De Três em Três, Marias – IX


Maria Eunice
   Sei a mesa, a cadeira, as risadas do mar.
Sei da mentirosa modéstia das minhas pernas e das minhas mãos e sei pousar de tempos sobre o colo.
Sei de simples simbologias marítimas e sei das âncoras nisso de saber.
Sei e nunca saberia ser outro intervalo que não este entre As Risadas, sobre a cadeira diante da mesa, este que nasce e morre e cresce a nascer.


 

Maria Eloísa
   Carrego uma mesa, uma cadeira, carrego a todos os segmentos das horas, seus rastros inda segmentos de areia-corrente. Vou ao nosso encontro como quem pinta as sombras bem antes e além do cenário, dum só risco. Carrego pincéis, paninhos e tintas, carrego a própria paisagem aquém. Há tanto e tanto a nós nos carrego
e paninhos e sombras e a mesa onde a areia é corrente no pé da espera.


Maria Cora
   Montar a mesinha de piquenique na areia, intangível a vida, a cadeirinha, inda a toalha inda o pão-de-alicrim, rindo baixo, intangível a vida, pôr na cintura uma das flores do arranjo e fazer cara circunscrita, mapeada, usar os dentes tendo o mar como refém testemunhal, que é assim, que é assim, uma vez ao mês, que é manter as náuseas de ser.

   

2 comentários:

  1. as marias... fico em silêncio diante de tanta beleza
    beijos

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  2. Um texto tão original e poético, Carla.
    Beijo.

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