sábado, 7 de janeiro de 2012

PARLATÓRIO/ A Escultura, O Escultor – encomenda n°3




Sua estátua algum dia será assim, pensa ironicamente o procônsul, enquanto levanta o braço, fixa-o no gesto do cumprimento, deixa-se petrificar pela ovação de um público que duas horas de circo e de calor não conseguiram cansar.

Julio Cortázar





Meus dedos talvez não sejam estes sobre o rosto da estátua que se deixa ser. E este rosto pode bem nem ser o que me toca as vistas.
Podemos mesmo, eu e a pedra, estar datando duras suposições, presunçosos que somos, seremos.
E podemos ser uma só teoria de todos os nossos antepassados minérios. Uma previsão antiga entalhando os últimos detalhes da morta idéia. Uma única cautela de rosto, burilado, sem dedos sobre.

4 comentários:

  1. assombroso porém de uma beleza que nos corta
    abraços

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  2. "Uma previsão antiga entalhando os últimos detalhes da morta idéia."
    Como se dizia nos meus tempos de faculdade, você é fuderosa, Carla!
    Beijo

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  3. Isto é mesmo incrível, Carla! Mas ainda tenho algumas dúvidas. Uma delas: quantos blogs você tem? Quais são?

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  4. ERRATA: na verdade, são duas as dúvidas.

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