sábado, 7 de janeiro de 2012

PARLATÓRIO/ A Escultura, O Escultor – encomenda n°2





Dormes na minha insônia como o aroma entre os tendões
da madeira fria.
És uma faca cravada na minha
vida secreta.

      Herberto Helder






    Faça-me uma estátua animada, mas nem tanto. Quero a estátua bem polida, do tipo que não desrespeita porque também não reverencia. Dela não se verá nunca a língua e nem os joelhos. No cimo do penteado, por detrás da renda devidamente engomada a gesso, proponha-lhe um único passarinho em rocha pura, para que os demais não lhe provem a graça. Por fim acerte-lhe o uniforme de criada bem arrumada, suficientemente ajustada, ponha pouco rouge nas bochechas e não permita aos olhos o descerramento da entidade Paulo.



Um comentário:

  1. ufa!
    pasmo-me diante de tanto jogo de linguagem, inúmeras sensações me transpassa
    beijos

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