domingo, 30 de dezembro de 2012

PELICULARES/ Nichos to Blow up on – 6



Para Hedgehog in the fog de Yuri Norstein. Para Yuri Norstein.





seu corpo espetado
para cada ano de domingo de ramos
(?)
ria assim
(?)
/agora ele havia se decidido pela purificação
digo
a porta propriamente dita/
iria agora
à fonte das cataratas
digo
filhote de urso sob os olhos de quem não vê
ou seja
à fonte das cataratas
em estado de sino, levava geleia
também para os perigos que, claramente, sem tenebrosas dúvidas, jaziam sombras imensas que lhe perseguiam
tudo o que tinha a fazer era ir e foi
(?)
ria
e eram estrelas e ecos delas e corujas inatas aos ecos estelares, uma loucura que só vendo
(?)-(?)
ria
tinha hora de rir e hora de rir pausando
(?)-(?)
colocar a minha dor aos abraços do amigo
na boca de língua
na língua do chá
coisa de quem se faria a chorar comigo
jogaremos raminhos de junípero na fogueira
não queremos ficar gripados e é cicatrizante
e ando e ando e estrelas, ecos e vê-las
em estado de sino então
névoa, tanta névoa
(?)
/somente uma cavala desta cor-de-névoa conseguiria segurar o lápis, o lápis/
estrelas e ecos delas e folhas-corujas
acordes estelares, uma loucura que nem vendo 
a chaminé que ainda se via
colocar a minha dor
a boca de língua
a língua de se fazer era ir e foi
ser lesma é não trair-se a si mesma 
não trair um lápis ao outro; o lápis
neste lápis, em estado de sino,
a porta, bem como morcegos e
para cada um, um
pirilampos avistava-se ainda a chaminé
pirilampos?
bolinhas de luzes
e te chamam
inda te gritam
YUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUURIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
tadinho, mal dez passinhos além do círculo em torno de ser ouriço que era, comeu um tanto da geleia de framboesa lambuzando-se de forma que
Yuri
e tanto que te chamei! 
chega o urso
que dali nem saíra
mariposonas ou pirilampos, Yuri?
ora, entre, está frio, vamos tomar um chá e comer desta geleia
YUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUURIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
tire esse lápis da boca, parece um bicho! eu hein, nunca vi!

e eram estrelas e ecos delas e bichos inatos, 
uma loucura que só vendo e se via
ainda se via a névoa da chaminé, bem ali






NONINA, ESSE MEU ESTADO, ESSA MINHA CIDADE – a cidade natal das outras





aiaiai, sorriso dos piratas de Uberaba, seus papagaios na névoa desse imenso campo de algodões em flor, Carolina, Kika da Tia Mônica ao piano o piano que corre a casa, esta embarcação à névoa dos cafés dançantes, teu pai a fazer mingau de café com chocolate, tua irmã, porquinho róseo, menina-pêssego vestindo-se de capacete devido a névoa que dança com Fabrício, Sandra e Sandra que escapa e ressurge na névoa de todas as manhãs, Iara!, Iara quem nem me viu, mas a vejo todos os dias, os dias que passo em Uberaba e as horas em que Uberaba passa por mim, ou seja, Iara, Iara que inda me ajuda a viver o verdadeiro sentido do paralelepípedo na ladeira cantada em alguma canção e Iara, a quem sempre vejo a dançar vestida de névoa e sabe que me custa tanto, quase nada, um picolé de milho e porque é tão legítimo o custo de se viver, Koch e Leandro, uai, sorriso das névoas na tua cidade, Carolina, tudo assim, sob-sobre a névoa e tudo que é gente nas janelas de portar emoldurando gentes lindas, sô, tudim, tudim e cabe mais, cabe mais, pois que se repete, e se repete que é bão, cabe mais, cabe mais e pergunta pra barriga da Priscila procê vê!






sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

GnosiS/ Sinais do Quê – 10










cada procura
volta e vai
e ver
que na memória deste gesto
/deste aqui/
há da cal e dos tijolos usados na mesma parede
onde a hera

sim

é dessa miudeza
sem precaução

estender o braço a um menininho
perguntar; 

podes vir aqui um minuto?
pois que desejo da tua calma
podes vir aqui um segundo?
por favor,
queira salvar minha vida, por favor?



quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

cabaças/ como explica o que dança em Pina – 5



ouve-se
GOTEIRA É OUTRA DANÇA QUE SE DANÇA SÓ 

então

  onde atrasar o suplício d’água
  sem sombras, sem culpa

  lhufas

  esquadrinhando lhufas
  então um cerco
  no qual se assente
  da amargura, um tudo
  constatando o afogamento do dia 

  o dia nos braços
  entre bagos de corpos meninos


  estamos a atrasar o fim
  estaremos sempre a atrasar o mundo

  inda sobre isso 


  o fim
  o fim e o mundo

  dança-se

  uma senhora
  em notável passeata fúnebre 


  ai, carrega ela
  um coração tão sujo e tão irreal
  quanto um coração de novíssima raça
  uiva-se

GOTEIRA É OUTRA DANÇA QUE SE DANÇA SÓ.
TODA CRUZ QUE UMA MÃO ESPALDA
A ÚLTIMA GOTA DE SOL SERÁ.

  reflete-se
  e o coração bate nela
  e o coração bate tanto e embebe ao casaco dela
  a dança pesa 


          cai o pano, apesar do que se uiva

A GOTEIRA É OUTRA
A GOTEIRA É OUTRA

A GOTEIRA É OUTRA e A GOTEIRA É OUTRA







terça-feira, 18 de dezembro de 2012

игрушки/ Soldados.Pedras.Massa de Farinha.Barro.Pano. – 14





de brincar de amor
de vasculhar seus santos jogos de amar
Uri Geller
Uri Geller

/tão forte vindo ao mundo
 sua nudez
 de quando 

entortava
 desde a fundida Tel Aviv
aportando 

 garfos onde só
 tão menino
cresce 

 na eletricidade
 duns fios de cabelo da rainha/

estou molhada
minha medula
teus relógios e bússolas
fazem arsenal desorientado
da marinha que guardo aqui

e não

brincarias de amor
se a coisa fosse ferro acidental?

eu sou remota
estou molhada e sou velha
praticamente
desentortável
um tantinho enforcável
e meu Gellér György já não se presta em ser tamanho









sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

cabaças/ como explica o que dança em Pina – 4












uma torção
optar a implorar
a esperar
um segundo
o último gole
um naco do que há atrás do vidro
em transição
a areia ataca aos meus ouvidos
meu amor, estou doendo às conchas
estou rindo
e não espero o momento seguro
uma torção
uns drinks
uns que queimam, uns que gelam
devolver um naco de mundo para cada homem de mistérios
mais uma torção
e um dia haverá matrimônio
e vou correr até os porcos
e sujar todo o vestido, vou cantar uma música inventada, vou tocar meus ombros e sabê-los bonitos suportes de ser-te
e serei 
a porca mais mortal que já se cobiçou

vou viver sob o sol

confiscar toda a lama



terça-feira, 4 de dezembro de 2012

PELICULARES/ Nichos to Blow up on – 5

     Com amor, boca, saliva e bafo, para Week-end e para Jean-Luc Godard.

video



     Week-end é um filme lindo sobre engenharia, engenharia orgânica, amor e engenharia acidental e, sobretudo, Week-end é um filme sobre a revolução e evolução da involução Francesa, como que mundo. É um filme sobre maquinas e sangue, ou seja, é um lindo filme sobre evolução, engenharia e revolução, feito coelho morto, pelado, involuntário. É um filme quebrado. E lindo. Lembrando “àqueles que não queriam mover André Breton, só porque ele estava morto”. É um filme sobre evolução e engenharia. Gramatical, inclusive. Quebrado. Feito porco acidentado na frigideira. E lindo. Involuntário.






§§§






(detesto desculpar (bem como detesto agradecer elogios aos posts. penso que, de alguma forma, os elogios não são para a Carla.), mas o filme junto ao post aqui, tem essa resolução como propósito e c'est-fini.)




segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

cabaças/ como explica o que dança em Pina – 3






choro pelada na chuva
equilibro uma só lágrima na ponta do nariz
para que tu

choro pelada na chuva
equilibro uma só lágrima na ponta do nariz
para que não julgues a chuva
que dedica fronteiras ao meu choro






domingo, 2 de dezembro de 2012

cabaças/ como explica o que dança em Pina – 2




estou nessa estrada
onde tudo é escuro
fundo marinho fundo
sei meus cabelos correndo contra
sei dum caos no mais íntimo da cadência
sei do Tango em Orion
dando à luz à ordem dos trens no oriente

estou quase ao fim dessa estrada
onde tudo é terra e nada
Terra e nada
e nada sei do sonambulismo nas coisas
e nada sei do que dorme ao açucareiro
assim
assim sendo
sendo que sei do Fado em Orion
dando alguma luz à ordem que não minha 

sei do Flamenco em Orion
fazendo inverno, primavera
tramando outono, inverno
testando, legando verões à nuca
essa
essa que não sabe meus cabelos correndo contra
sei
do inverno
do Samba
sei do Samba em Orion
piscando-me a luz
e nada sei do sonambulismo nos garfos
meu cabelo
estou
quase ao início dessa estrada escura
uma mão se vai à cintura
quero saber das xícaras
e dos botequins










quinta-feira, 29 de novembro de 2012

игрушки/ Soldados.Pedras.Massa de Farinha.Barro.Pano. – 13







coitado, mal existia.
e começou a medir, a comparar tudo com a distância daqui até a lua.
o mais longe que seu cuspe podia.
as linhas da caixinha de costura da mãe.
o amor por Rachel.
as escadas que subira.
o cabelo, não tivesse podado tanto.
as frases dos poucos livros que tentara.
o amor por Rachel.
as listras do edredom zebrado.
seus molengos passos, seus molengos passos e ao todo.
as lâminas, numa rasa fileira, que rapelaram a sempre quase barba, sempre quase, seu amor por Rachel, como se com soma das medidas pudesse fazer alguma eternidade aos 42, onde, coitado, mal existia.






quarta-feira, 28 de novembro de 2012

cabaças/ como explica o que dança em Pina – 1



         para Pina Bausch e para tudo o que dança em Pina.




seriam cubos de gelo
lascas de rocha
pedras de rua
seria coisa de gente
não fossem gotas moldadas no cuspe
que desaguam das pontas dos dedos de Pina

pequenos embrulhos
perigos supurando outros
conservados
nessa espécie de âmbar caseiro
o cuspe

roxos estados de estar de estar e de tanto vir a ser
rosas-marinhas 
na extensão do que rosas-marinhas inchadas
voando duro a ponta de cada fio
de cada cabeleira
como explica o que se dá aos ângulos das costelas todas de Pina

ai, as costelas de Pina
a espinha de Pina na garganta de quem engasga os olhos
os olhos que já não podem mais e querem e não cessam desejar
e cospem a Pina

a Pina
esta que seria
lasca de gente

coisa-marinha






sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Nichos/ Niniréquiemmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm











COMO SÃO BELAS AS MIRAGENS NA FUMAÇA DUMA BOA TRAGADA NUM BOM CHARUTO.
ESPECIALMENTE EM ÉPOCAS DE COMICHÃO, ELABORAÇÃO E CONTRAGOLPE AMOROSO.

sábado, 17 de novembro de 2012

Nichos/ PetNicho XXXIII








arrastadamente
serenos
entre os lindos objetos que nos rodeiam
 /sapatos, bijuterias e cartazes vintage, chapéus, xícaras e bíblias retrô/
num escuro sereno
nós, serenos
entre os objetos que antigamente já nos rodeiam
coincidir nossos ouvidos com os trinta minutos da canção de amor da jubarte macho
donde
arrastadamente
serenos
novos elos vingarão









quinta-feira, 15 de novembro de 2012

GnosiS/ Sinais do Quê – 9




não pise na formiga
na palavra viva
demorar-te-á o freio em lamentar
dirá de baleias mínimas
encalhadas nas tuas costas
tanto sal
tanto sal, minha senhora
enlouquecerás
quanto de sal para criar vidas
formas antigas
nenhuma pessoa
formigas?
inda desnutri-las para salvar
subcutâneas feridas
caminhos
queres e não queres te ambientar
que neste lugarzinho
antigo-antigo
se encaixam, perfeitamente, migalhas da tua língua
inda a mínima ansiedade é montoeira viva
eu poderia dizer o teu nome, amiga
porém a cultura inimiga
prolifera antes que eu o diga
é saudade viva
que tanto-tanto ao teu idioma 

formiga









segunda-feira, 12 de novembro de 2012

игрушки/ Soldados.Pedras.Massa de Farinha.Barro.Pano. – 12












e fizeram essa longa fileira de cadeiras e banquinhos 
para que a possibilidade
atravessasse o mar de brinquedos




sexta-feira, 9 de novembro de 2012

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

PARLATÓRIO/ A Escultura, O Escultor – encomenda n°19



 
abraça o cochilo de Aldo ante a imensidão em pedra:





teve a vez em que eu fui uma Vênus
do tipo mais comum
de olhares postos na cerração

paguei meu tempo com o meu tempo
segundo contas em horizontes
era intocável, nua, burlesca aos Domingos
havia de carpas japonesas nadando a barra do meu vestido de epopeias em fins
era pérola
era espinha de peixe
era pau crescido sem vento
era ceder ao único pensamento
após este 
único 
pensamento
era ceder

sem demagogia
não há estátua que se faça reta

e teve a vez em que fui Eros
e teve a vez em que fui busto de Platão
  e como me coçava a língua, Aldo, 
  como me coçava a língua em Platão ser.




sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Nichos/ PetNicho XXXII



                                     para Inger Christensen





ouvia cavalos

lavava roupas

ouvia cavalos suicidas

lavava roupas conhecidas

ouvia e lavava cavalos pelados de qual fé, meu Deus?

e morreu
ali mesmo, morreu ela.

ela que, meu Deus, morrera ali
como no abismo da pelagem de quem morre?







quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Nichos/ Desmanche




soluços no escuro
onde sabe-se de formigas
de rastros nas paredes
o gato morto num canto já tomado
o gato parado antes do primeiro soluço
o rastro pelado
morrendo, morreu
pois que resolveu-se assim
um soluço no silêncio do escuro
silêncio
então pensa-se das todas noites ali
pendendo
aos soluços
talvez um espelho
oh, a serventia dum espelho no escuro
silente
sabe-se que você está vivo
morrer traria o soluço do mais
além
bem mais além que silêncio
e nascer
de surpresa
crescer como trepadeira
alcançar todos os cantos
ser devorado pelas formigas
morrer num último soluço
do mais e além
junto ao crânio do gato
ao lado do espelho
quatro crânios mais
quatro mil mínimos crânios
silentes
sem soluços
e bem antes de qualquer luz
após
e só após o primeiro soluço
pois que resolveu-se assim








terça-feira, 30 de outubro de 2012

NONINA, ESSE MEU ESTADO, ESSA MINHA CIDADE – desministerios




não temos ministérios

com muito cuidado
na minha cidade
neste meu estado
descuidamos dos ofícios para que estes
se façam na época, vontade e primícias largas
folgadas

chamamos de desministerios
e assim
a coisa vai
e rapidamente vai
/também volta, caso seja o caso/

temos que morar fora do alcance de correntes e requintes
nossas encostas e flores e frutos e materiais para construções

seria até vulgar ministrar
o que amamos e o que nos ama

assim e assim
surgem absurdamente
danças, provisões, lambidas e honestidade
em qualquer hora e lugar
ou no meio de uma ação
que nunca cotidiana

/há quem nos chame de índios!
 idiotice, pois que temos roupas e televisores/ 



segunda-feira, 29 de outubro de 2012

NONINA, ESSE MEU ESTADO, ESSA MINHA CIDADE – primeiro sino






na minha cidade
tão belas são as formas do algodão no campo
copiam nuvens sobre a plantação de trigo
tão fértil as pequenas grandes coisas como estas
tão férteis como as ávidas bocas e mãos que colhem
e recolhem ao meu estado









/Carolina, Tia Mafalda foi estar com meu Pai/







domingo, 28 de outubro de 2012

NONINA, ESSE MEU ESTADO, ESSA MINHA CIDADE – pinguemos





nesse meu estado
temos promessa de medo
Belle and Sebastian, Miss Spektor, Elis e Chico nos alto-falantes
e, dia sim, dia não, geramos frio e calor e calafrios
que sempre é coisa que vem por trás das gentes
ou por baixo
(das gentes)
da minha cidade

também lidamos com estalactites
o que, de forma bem mais que interessante, remixa a nossa música

nossos passarinhos são plenamente atordoados
e é necessário que sejam
além do mais, estão sempre a beber das fontes
onde as ondas degeneradas pelas músicas nas estalactites
forçam seus biquinhos a tremelicarem mais
de forma que
ao alimentarem seus filhotinhos reproduzem o mesmo efeito que as fontes
devido as músicas nas estalactites

enfim
na minha cidade
neste meu estado
as coisas dão-se por propagação
ou pela promessa de medo;
nossos passarinhos são tão atordoados, temos calor e frio e calafrios, inda lidamos com estalactites, não estalagmites.
STALASSEIN!