sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

REZADONICHOPESCADÔ/ Pés e Léguas






O mar não chega aos pés do quando da noite inserindo-se na primeira crista a chegar-se pelos pés de Mariazinha, Mariazinha feia, Mariazinha torta, Mariazinha minha.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Nichos/ PetNicho XVII





Aconteceu então que duas malvadíssimas tartarugas invadiram a tua horta e uma delas deu-te uma horrorosa bronca dizendo da verdade e da dureza sobre a rapidez com que não se deve amar enquanto a outra balançava a cabeça a discordar completamente e entre os talos de cenouras e rabanetes. 




segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

REZADONICHOPESCADÔ/ Diplomar




compilada a oferenda:
nacarinos trincos em versos a
ver indo a última onda a
trazer a primeira:
alto-feitiço formadô de pescadô.

(SE BEM QUE SEMPRE PODE-SE REAVER, DIZEM, REAVER REJEITADA A OFERENDA ENDA ENDA ENDA)



REZADONICHOPESCADÔ/ Voltas Aos Montes – Dora



ao meu flútuo-túmulo
tratariam-me por Senhora
tivesse sido boa esposa
tivesse tido boa a hora
porém é de um porém-mar
a errarem-me Dora, a Dona Outrora.



sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

PARLATÓRIO/ A Escultura, O Escultor – encomenda n°1




As estátuas sofrem com os olhos pela escuridão dos ataúdes,
mas sofrem muito mais pela água que não desagua.
...que não desagua.

MENINA AFOGADA NO POÇO, Frederico García Lorca.







Pediram que Aldo obrasse em argila e cobrisse em tinta acobreada um Major leitor da bíblia para o jazigo dum Major católico do tipo fervoroso. Encomendado e feito. Estatuado o dedo sobre a página do grande livro, inda o foco d’alma dura de forma e maneira que realmente, a quem freqüentasse o jazigo ocorreria o pensamento tal: ESTE HOMEM É UM MAJOR DE DEUS!
Contudo, contudo, somente aos mendigos do cemitério caberia a verdade, hora cantada por Aldo: ESTE MAJOR É UM HOMEM DE LORCA!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Nichos/ AquaPlay – 6





Começa que chove
Deito-nos no azado asfalto
É tanta a chuva que não se ouve nada além
Dos gravíssimos acidentes
Sacrificadas glutonas gotas
Abro-nos os olhos. Todos.
Agora sim. Agora esperamos que ela seja.
Esperamo-nos e que ela seja, esmagando a retina, seja.
Seja ela a gota sola.
A gota do nada, nada tão mais que vazio, seja.
A gota em que nem um mundo haja, a nós, nos seja.

PISCA-PISCAORACULAR/ orbes-de-artifício – 7



                Para a minha Uberaba, Pãozinho-de-açucar particular.

  
lindo bondinho meu, estêncil do quando de sentir
que a maior maneira de abraçar a quem fica
é um ir contornando as cidades de alguém
que do melhor destas
tão bem se exemplifica.




quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

REZADONICHOPESCADÔ/ Voltas Aos Montes – De Três em Três, Marias – VII





   Maria de Adventos
comprara o banco enferrujado na praça. o banco de costas para a praia, comprara. agora era uma de ficar só, de costas, uma de ficar de costas para a arapuca, uma de viver pelo trote dos passantes, pelo faro das crianças, a consternação do pipoqueiro. era agora uma de viver pelo tato e vinda dos outros.


   Maria do Rosário
contava Maria do Rosário, uma reza por vez, orava, orava, uma conta por tez, levava Maria do Rosário, as esperanças nos joelhos, esfolava Maria, ia, prestando contas a Deus dos quandos aos cais dessa cruz.





   Maria Encarnação
sem surpresas, via-o no rubro descascado das unhas, via-o cruzando os lençóis brancos do varal e do para que tanto de lençóis, tanto de branco num vermelho que tão. via-o numa maré de toques aos lençóis, ancorando da mansidão num misto de brancura e cheiro de coito suspenso, dueto de Céu e Terra em marchinha interrompida, esqualidão, tudo assim, sem muito de surpresas, manchando nortes aos lençóis, pisando a indiferentes oceanicos de sabão, tudo nas unhas, tudo nas unhas de tão vermelho-sujo a diária encarnação.

A CASA DA ORDEM,DOS MODOS,DO AMOR E DA PAIXÃO – estada 4



    CAI A NOITE, COMO CAIR À NOITE.


  





JANELA DO DORMITÓRIO.
O jardineiro desenha no vidro uma cadeira de terra.


DORMITÓRIO.
Um trovão.
E se eu disser boa noite e não convir?
E se eu disser boa noite e você sumir?
E se eu disser boa noite e você sorrir?
E se eu disser boa noite e você me aplaudir?
E se eu disser boa noite e você se ferir?
E se eu disser boa noite e te trair?
E se eu disser boa noite e você me engolir?
E se eu disser boa noite e você diminuir?
E se eu disser boa noite e você se cobrir?
E se eu disser boa noite e depois fingir?
E se eu disser boa noite e você se vestir?
E se eu disser boa noite quando você partir?
E se eu disser boa noite quando nem eu sentir?
Ou, pior,
E se , bem pior, anoitecer tarde demais e
se eu não disser boa noite e se você nem advir?
Acontece.


MAUSOLÉU.
  NICHO DA MORTE, O BICHO PAPÃO.
  AQUI CHORA O AMOR, REZAM OS MODOS, REPLICA A ORDEM E DANÇA A PAIXÃO.


ESTE QUADRO Á DESPEITO DO QUADRO NO DORMITÓRIO.
Ordem – Arruaceiro.
Modos – Aquela noz é a verdadeira culpada. Foi a noz que tirou Santo Antonio do sério.
Amor – Nozes são entes sediciosos.
Paixão – Ele tem algo entre as mãos.
Amor - Aquela vaquinha esta perdida.
Modos - Ela é o demônio.
Ordem - O demônio é o porco na rampa.
Eu - Não. O demônio é a velha de bengala.
O Jardineiro - É a cabeça do celeiro.
Modos - É a bacia.
Ordem - É o homem afogado. O que o jardineiro faz no dormitório?
Amor - É o mosquito-monstro.
Paixão - Ele tem algo entre as mãos.
Ordem - O mosquito não é monstro. É um anjo relutante.
Eu - E aquilo não é um celeiro. É um restaurante rústico. Não viu o barril de rum e a bandeira com um pato?
Modos - Não é anjo, nem mosquito, nem demônio. É um dragão sem Modos que cuspiu fogo ali atrás.
Eu – Pois é. É onde assam os patos. Tudo funciona bem. É um maquinário só, tudo a um tudo bem harmônico.
Paixão - O barco é francês.
Modos – UÍ, UÍ! Vejam como a cabeça do celeiro odeia a bandeira comunista do pato. A cabeça é da Direita.
Eu – Restaurante.
Amor – ((¿) UÍ, UÍ? (¿))
Paixão - Mas que diabos ele esconde entre as mãos?
O jardineiro – Deve ser o pincel.
Ordem – É. Deve ser isso.
Todos (exceto a Paixão) – É isso.
Paixão – Ou uma foice. De fato é uma foice cega.


JANELA DA CAPELA.
O jardineiro desenha. No vidro, uma cadeira de terra.


CAPEL



sábado, 3 de dezembro de 2011

PISCA-PISCAORACULAR/ orbes-de-artifício – 6



   Daí o anjinho fióte, tuderrado, foi correno pros lado da desgrama: Dona Morte! Dona Morte! Furei a banana com o garfo, agora a senhora tem de comer!















Nichos/ Estampas Para Sê-los - Lambida n°5







   ...inda mais esta carta a narrar-te da pequeníssima tarde pintada da tua cara, tão honesta sorte de óculos e sem carência de selos.