quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Nichos/ Estampas Para Sê-los - Lambida n°2





amor, mirmicíneo amor,
vista já este anexo chapéu em flor
inda trate de ir cavoucando, amor e amor
e um bom buraco
no que lá armaremos guarda-sol e mais do amor
a então termos de jardim a guardar
mínimas esperas desse sol
que, prontamente replantado, inicio a lhe enviar.







Nichos/ Estampas Para Sê-los - Lambida n°1





amor e amor,
ando a ser
carregadeiras somas a lhe enviar
lilás por lilás
/pequeninos sermos/
até que tua
toda a nossa casa
onde o quintal
onde a árvore de todo o lilá.






sábado, 24 de setembro de 2011

REZADONICHOPESCADÔ/ Voltas Aos Montes – Marina





ou até que me descubra
mais do que aos pulsos
o mar
a parábola da sonâmbula camisola a cavalgar o hipocampo
da ronda
o fio do mar que me descubra
ou de quando a isso der-se o nome PiedosaEnseadaRubra aparentarei
até quando.



Nichos/ PetNicho XV




CEMITÉRIO É O CÃO
numa cavala ordem
como se não
o cão, focinho que só, quase-quase feliz como cão que é, a um todo-olhos-de-rã que tão cão, empilhasse passarinhas e ratunas caveirinhas,
quando que tão,
indo às 12 rabadadas
fosse interpelado por Jão, coveiro que só, espumante que tão, dum só pá-na-mão, todo-tripeiro da língua no que uivasse ao cão
PASSE OS OSSINHOS PRA CÁ, CARCARÁ!

COMO SE NÃO
pena o bichinho como se fugisse, bordel de pulgas atrás da orelha, tatuzinho que cão, todo-puto que só
E DIZER QUE CEMITÉRIO É O CÃO. MUNDO CARCARÁ.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

REZADONICHOPESCADÔ/ Voltas Aos Montes – Clara





estarás onde a sombra da marinha estrela
estarás onde restará a mim
dar teu nome ao vulto de areia
e imenso restarás.

PISCAORACULAR/ DESSES NICHOS TEUS – 12










sete vezes quantas vezes a perguntar? quantos gatos carrega um muro? há quantos muros detêm-se o gato? há quantos mouros gatos, ergueremos o muro a ser derrubado, esse muro que, fazendo vizinhos, noite e dia, descrê o gato da coisa bicho do teu olho perdurado?
ou simples assim: que, afinal, velam teus nichos aos emparedados gatos em mim?






terça-feira, 20 de setembro de 2011

REZADONICHOPESCADÔ/ Aguado Nada





enxugar-se da manhã e da tarde inda aguar o mínimo peixe a dar de rabo de sola na espuma rabiscada, rasa-rasa imensidão, ter do primeiro marasmo o pequeno pescador e vice-e-versa, meu amor, vice-e-versa que é fruto do mar, que é estrela-de-rumo para o tanto do amor.


                                              

Nichos/ PetNicho XIV




deixássemos vingar o casulo do nicho-da-seda, diria, bicho-da-seda, ao viés, diria, ao invés de cortes de tecido para esvoaçantes madamas, agulharíamos, diria, adoidaríamos finas Maripositas de algodão-doce com rabiolas de pelúcia planando nossos jardins em cor, diria, jardins em flor, podendo ser jasmim, seda como for, diria, a flor, tomada a carmim, se cor, digo, Darwin diria, mas não disse, a flor.



sábado, 17 de setembro de 2011

REZADONICHOPESCADÔ/ Voltas Aos Montes – Teresa






pequeníssimo arpoar:
teu barco não deixa a costa.
acosta-se a ti esse verso continente. 



REZADONICHOPESCADÔ/ Voltas Aos Montes – Adélia



(para Raul Macedo)


       que doidice a minha, rindo, mas que doidice a minha:
não lamento
teu sorriso
tão mais ao fumo do regresso
rindo proas duma nossa via
feito a foto da fotografia
caída da moldura, da parede, na quina dum abandonado armazém de voltas, ventos e linhas.



Nichos/ Estampas Para Selos – 3 e 4



Inverno de 1984.

querida Mimi,
ficarei mais que honrada em usar o cachecol que você anda tricotando. Oxalá coincida a ocasião com o casamento do nosso tataraneto ou com o tal dilúvio já previsto no grande livro. de qualquer maneira, quando envia-lo, favor anexar alguma urgência.
   agulhados beijos,
   Dídi.







Inverno desses Verões de Sempre, DaquiPraFrente, por extenso, parece.

querida Dídi,
assim que eu encontrar alguma urgência, visto que desse amor, qualquer urgência jaz azas, bem mais atrás, enforcarei-me do tempo ao cachecol traçado.
   beijos nas galochas,
   felicitações ao neto de tátara (vizinha nova?),
   tua, sempre tua, Mimi.

P. S.: ainda em tempo, casando tricotadas asas às mãos a te esganar das urgentes bobagens...ai ai ai...essas nossas bagagens...

terça-feira, 13 de setembro de 2011

REZADONICHOPESCADÔ/ Desdobrar O Peixe




principia-se do caminho, de pedras e, de alguma areia, leva a vista, aperta a paisagem e encontra, o pescador, um peixe de origami junto ao balaio da sorte, leva ao aspecto, atira a vista ao cimo, aperta a garganta em sorte, leve a vista que logo o tem, acima, do fundo-fundo cismo, precipita-se Deus: DEVO MESMO, SER ESSE PESCADOR JAPONÊS E POSSO MESMO SER UMA SÓ LINHA DA GRAVURA OU MESMO TAL AZADO GRAVURADO BALAIO. DEVO, POR SORTE OU RAZÃO, SER, MESMO ESSE, PESCADOR DE PAPEL.


sábado, 10 de setembro de 2011

REZADONICHOPESCADÔ/ Que Sucede?





uma onda morre e Janaina ordena à outra que vá e resgate a irmãzinha e assim, sucessivamente, dita o pescador à única filha, até que um dia, termina o pescador, até que um dia, sucessivamente.




REZADONICHOPESCADÔ/ Escombros Do Além-Mar







deita-vos a concha da orelha à lua, tão cheia disso: cinza não é cinzeiro. pescador não é marinheiro. somos só. e cada só, um bom e velho pardieiro.






por sugesta ingestão do MeuTantoAmor, isca do meu mais, mais que eu poderia sugerir, escombrada eu em quê dizer-me...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

CONSERTANTESNICHOS/ PÁ AURICULAR – 4



 




dá-se a ordinária corda da manhã
estalam-se
liquidificadores e gravadores inda patinetes
realejos e elevadores e tantas
engrenagens da cidade
executam, desafinadas, quase sonâmbulas, a demente partitura coloquial
no entanto sou, graças ao nosso Deus acordado aos teus pais, exilada da charanga da formalidade, deportada dessa roda cerimonial
e porque tu te nasces a todo instante, meu tanto amor, dá-se que teu maquinário re-orquestra o dia, desdobra-te e chicoteia-me da corda pescadora das manhãs e noites do mais.

                  




a Carolina Caetano, Trem da Manhã ou da Noite, MeuTantoAmor.