terça-feira, 26 de abril de 2011

Nichos/ Paris, 24 de Janeiro de 1920




Como esculpir um amor furado pelo que retesa e pinta o do olho? Ah, um manto!
Eu tinha ciúme do que ele pintava, eterna claridade na que cabem gentes em gentes.
Eu tinha ciúme do que ele pensava, clara interminável vida em silêncios poentes,
eles todos querendo ouvi-las,
as curvas do teu pescoço
no legado contorno;
teus óleos sobre pedras
pedras sobre telas sob o quebradiço
eixo e manto da tua arte, um manto,
desusado respirar, macho, tortuoso,
  Cariátide! Cariátide! Um manto! Um manto!
nos olhos cheios de umas gotas parideiras
correndo a boca suada em bálsamos malditos.
O oco no que cabe o novo antigo teu
fálico culto ao culto de Artemisa de Cária. Teu.
E eu tinha ciúme do que ele via.
Eu morro de ciúme daquilo que ele bebia
em fazer do corpo um outro nicho do que se sabe por harmonia.
Um manto, um manto. Meu véu.





inda de um nó dedicatório. Esse. 

Nichos/ Wait!




HOW CAN I GO, PRECIOUS GOD?
IF MY SOUL MADE
PERSIST IN FLESH AND BLOOD?






sábado, 23 de abril de 2011

Nichos/ O Jardim Rigoroso






A mim prendem-se heras e formigas.
Me distraio com elas e o tempo venta, irriga ...
Tentar desmentir os rigores do tempo é negar-se.
Como se o nicho, feito para elogiar a morte, também morresse
e fosse além de se exibir num outro nicho de uma morte desse ou de como o que.
Nesse meu
Empoleiram-se
Um pássaro aqui
E outro
E um outro mais.
(Esse último imita a minha vaidade.)

    Quieto, passarinho!
    O coveiro esta dormindo!

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Nichos/ Nós, Sob Um Ancestral Ponto de Vista Estrangeiro, Esse Nicho, Esse Bicho no Olhar


É o nicho um dessa uma fábula. É Velho o nicho e é antiga nossa, a uma fábula. É bengala e berço e fábula de ninar, é o Velho com um todo antigo toque. É novo e quando, é toque. É a fenda a qualquer hora lida no olho do gato, a qualquer Tempo, o Tempo a ronronar as horas, as lidas, o lidar do Tempo. Idoso-dócil-gentil. Perspicaz. É o Velho no caminho e sola e palma aos nasceres, é Velho o úmido do hábito, esse de nascer, nosso o de voltar, é morno. É a Casa velha onde moramos o Tempo, onde hospedamos voltas. É, portanto, a Velha Casa do Velho Tempo, é o nicho e é o Portanto a Casa do Tempo. É o Velho, minha velha. É o caduco proveitoso do Tempo que em mim eterniza essa velhinha, Nossa Senhorinha tricotando sapatinhos para a fábula, que de fenda em fenda, vem. É o novelo no olho gatuno. É o Tempo em nós. Somos nós na linha daquele Velho do Tempo, aquele ali, movendo as damas no tabuleiro, aquele na varanda das vindas, aquele a rir de nós e nós, velhacas damas, extraditando ao nicho essas fabulosas risadas ancestrais. Essas.



sábado, 16 de abril de 2011

Nichos/ Portal Incidental




No desenho, no canto da folha daquele caderno de matemática da menininha mais ao norte desse Brasil de Deus, entre tortos números, entre mais subtrações que adições, entre florinhas do xiquexique, ao lado da janela da casinha de taipa, entre o varal de carnes e o aleijado vento, um olho, explícito, expiando o debutar do cangaceiro dia já pedindo o poente acadernar.

ARRIÉGUA, MÃINHA! DEUS É O CICLOPE BÓDI EXPIATÓRIO, É?

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Nichos/ Niniréquiemmmmmmmmmmmmmmm








PENSO QUE A AMPUTADA IDÉIA JAZ NO NICHOCORAÇÃO.
SE SIM E INDA QUE NÃO SE ANIMEM UNS LAMPEJOS, AONDE JÁ IRÁ O NICHO DA RAZÃO?











Nichos/ Lápide Fonada – classe econômica






VIVI BEM.
ADQUIRIDA DOENÇA, MORRI COMO PUDE.
CARALHA. CACETA.
SAUDADE CHULETA.
ABRAÇO ZÉFA PERNETA.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Nichos/Redoma





A boca não tem nicho. Cavalo suado céu abaixo sobre o teu peito todo que é só gozo, esse nosso dragão vermelho, mula velha e nova e velha passarinha.
A boca é Nicho.
A língua é Santa.


sexta-feira, 8 de abril de 2011

Nichos/ Render-se a







Água que eleva a morte condensadora de vidas em maneiras de formas dobráveis do viver; queda livre de nichos em flor; bêbados abismos em giro ao sangue renascentista da divina verve em planos de sono e infância por campos de guerra em gotas de algodão.








mais nuvens em

e mais sobre nuvens em

domingo, 3 de abril de 2011

игрушки/ Soldados.Pedras.Massa de Farinha.Barro.Pano. - 1





Qualquer amargura vale menos do que este momento: este em que a boneca compreende que vivia numa caixa de papelão e não num Santo nicho Santo.

Nichos/ O Restaurador




DEPOIS QUE VOCÊ MORRER
VAI SOBRAR SÓ UMA CERTEZA
A CERTEZA DE FAZER,
AINDA PERTO DA PRIMEIRA
DA SEGUNDA OU DA TERCEIRA,
A QUARTA TENTATIVA EM SER
CADA UMA DAS CÉLULAS
PARA O TEU PRONTO RENASCER.

sábado, 2 de abril de 2011

Nichos/ Ovo




Calcular a clara vidência.
Dessa morte que é vida, se contenta.
E ela te toma agora em pura casca,
 rachadura da pátria morro.
Encontrou-te podre.
A fantástica coisa de fitar o ovo.
Da estrutura toda
 fica o sonho.
A primeira magnitude é ser comparado ao sono.
A segunda é a brancura calando a qualquer breu.
Não adianta mais nada.
É quando o pinto morre.
A GEMA DA OBSESSÃO
 toma a vez chocada do ovo.
Nicho, vida e morte numa casca só.