terça-feira, 29 de março de 2011

Nichos/ Sitiado Fluxo Extremar







Me conscientizar de que ela me seguiu esses Tempos todos;
a estância em te achar.
Não provoca sofrimento.
Nem a nós e nem aos outros
e nem aos Tempos sequer lança um balouçar.
Sob certos aspectos
cheira a canibalismo materno.
Nunca foi mal, não agride e nem interfere.
É latente e é evidencia e é demente e é delícia.
É naturalmente e é solar e é solar e é solar;
como é mania do Tempo no Templo-Sol, amarelar!
Tem a tua boca e a minha, naturalmente.
E me seguiu e me segue e me come
inteira,
há séculos e há muito o que brotar.
o sítio, esse rancho em te achar de novo,
a cada alqueire de cada vinda em te achar;
meu amor, eu estava, estou e estarei indo
a uns nós dessa fazenda nos replantar;
Nós;
de Tempos em Tempos, mais e tanto morrer de te amar.

sábado, 26 de março de 2011

Nichos/FEVEREIRO



Como o santo do santo, a árvore da árvore do pássaro. Erramos, amor. E ramos. Vários.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Nichos/ Julio Denis - I





Já corre o fio
teu nome e a fome,
portenho Minotauro.
Corre o fio o caminho sonoro, a cítara matada.
Ariadne fica, finca e finda o riso e a teta no caracol;
‘que silencio fosco discorrerão tuas entranhas sem saída!’
corre o rubro fio do touro guíglico
cerceando o miolo do mítico
na barra da saia do sintético poeta;
São por mais de mil os fios na costurada sede,
na lábia da temperança porcamente pretendida.
Mas corre o cego fio e o mudo corte
teima e corta e curva
de tal maneira e sorte que as pontas dancem
o já apetecido arrematado alcance;
foi dado o nó:
A nau é lisa. O tempo é crivo. O monstro é vivo. 

quarta-feira, 23 de março de 2011

Nichos/ Finadas Queixas




Deus vai tossir
uma idéia sintética
vestida de mulher.
Enquanto isso vá enrolando.
   Boa tarde, menino Jesus.
   O teu pai é mesmo uma graça.
Da decência específica
a umidade bem baixa
sumária dirá:
 Posso te chamar de morte?
 Já acabou, morte?
Que calorosa acolhida.
Traga-me uma pá
e o livre arbítrio.
Ao próprio amor, traga a mentira de umas gastas fés.
E traga também umas larvas vivas
para que os dedos das mãos evitem os dos pés.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Nichos/ Através




Quando o espelho é o nicho do orgulho.
Quando o orgulho é o nicho que resta
ao divino do coração,
nicho da dor onde o que reflete
é o orgulho ao espelho da razão,
nicho da velada beleza imperial,
bicho da cerceada humanidade animal
quanto ao espelho, entidade acidental.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Nichos/ Dilúvio



  Vem do teu nicho a voz especialista em construir barquinhos, ondas e pequenos sóis.
  Tudo certo.
  Tudo dentro.
  Tudo certo.
  A tua falta vive ardendo a me flutuar ar, ar e ar:
Eu vou cicatrizar.

Nichos/ Suicida Compulsivo





Olhando por outro ângulo
minha mania irá conceber
novíssimas formas de morrer.





quinta-feira, 10 de março de 2011

Nichos/ A-me





Construa o meu nicho sob a janela do teu quarto.
Limpa-me o vidro e o alabastro.
Conta-me como vão seus dias, ajeite o seu cabelo.
Lembra-me do cheiro da pele e do cheiro e do cheiro e do cheiro.
Enfeita-me com cartas, bilhetinhos e vaga-lumes. Não use flores.
Honra-me com teus soluços, repita-os no mármore;
EU ESTOU AQUI
EU ESTOU AQUI
EU ESTOU AQUI;
E sim, durma-me no teu sangue, sonha-me no teu leite:
                                                                     Eu estou aí.

Nichos/ Niniréquiemmmmm




SENHOR, FAÇA PORTÁTIL O ÚLTIMO BEIJO.


sábado, 5 de março de 2011

Nichos/ Meleca



– Pai Celeste,
faz do meu orgulho,
esse esqueleto de bobagens,
uma coisa minguando
numa caixa enterrada no piche
de consistência mais pichosa.
E amém. –
 Pronto.
 Aí o medo é conduzido a um nicho super lacrado.
 Mas não impossível.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Nichos/ Cabur Talorien – o nicho vivo




EU GRITO.
ENQUANTO VOCÊ SORRI, PORCO CABRITO ARADO,
NA JANELA DA MINHA BANIDA VIDA
OU NA JANELA DAS NOTÍCIAS NA TV,
NA VITRINE DUM PORQUE.
EU GRITO O TEU TAMANHO NO PLANETA, NA MINHA TELA JANELA,
NUM TOM QUASE VULNERÁVEL.
TÃO ÁRIDO QUANTO VOCÊ.
TÃO CORNO QUANTO A CARA NO PÃO.
TÃO SÉPIA, TÃO DESERDADO E TÃO.
AS VIZINHAS QUE ME PERDOEM.
A JANELA QUE ME PERDOE.
E O CÉU.
ONDE QUER QUE ESTEJA O CÉU QUE JÁ ME PERDOA À NÃO.
FUI PEGA GRITANDO VOCÊ.
GRITO QUALQUER OUTRA COISA
E MORDO A LÍNGUA;
A TUA E NINGUÉM VÊ.
MEU GRITO É A MINHA MANADA DOR.
É O VÍTREO-VENENO DA NAJA ESTILHAÇANDO A PONTA DO TEU DEDO NA MINHA REMOTA FLOR.
TRINCA AS TAÇAS LACRIMAIS.
DERRAMA AREIAS AOS MEUS PRIMORDIAIS.
DO ORIENTE DA JANELA, MAIS JANELAS DO ORIENTE
DESTROÇAM, DO MURO, AS LAMENTAÇÕES
LASCANDO DE DENTRO DA TENDA O TOM
CHAMUSCA O MEU TODO DESPUDOR
TAMANHO E ORDEM É O MEU PAVOR;
EU GRITO.

MAS NINGUÉM VÊ O MEU GRITO.
AO MEU GRITO, NINGUÉM VEM.










Nichos/ Napoleônico





Fossemos nós
uma hora tão singular que.
A última?
Eu e você: Um viúvo derradeiro e torto tempo?
Um antigo às pressas.
O próximo. Ou o altaneiro.
Fossemos nós o primeiro.
O primeiro mais que gesto e inda mais que partos e muito além da vida e morte dessas serpentinas no Adeus.
Se fossemos nós reconciliando águas, continentes?
Uma só linha portuária invertendo todo o vertente.
Diga-me agora, Deus:
E se fossemos nós o único louco homem, desse sol, ciente?







terça-feira, 1 de março de 2011

Nichos/ O Centésimo




O centésimo nicho,
seria de fogo e a mim, me molharia até hoje.
Os timbres e os meus graves, gravíssimos micro-nichos em mim, em nós.
Parecidos a mirtílos cristalizados
 vitrolas congeladas naquela musica de nós.
Sim! E nuvens!
Haveria tanto de nuvens que
 repousariam uns sóis, faísca por faísca, sobre o canto luxurioso.
O centésimo seria meu, dele e de um só fresco deslizar de agulha na garganta de Chet Baker.

Nichos/ Outeiro Ou Morro




Uma pedra e uma pedrinha
manifestam um
justo-agora.
De Múltiplos Ritmos Manquejantes.
Nós dois, as pedras, o agora e antes.
Um futuro qual não se opera,
outro que sim.
Um solo.
Solavanco.
Um dueto sovado.
Solavanco.
Ter e reter.
Lente, densidade e.
Não se mova!
Pelo jeito de rolar
entre hipóteses sem limbo
o justo agora
da qualidade açougueira da fotografia final
pede que deixemos que
os ideais e as manhas dos relevos e juncos naquelas pedras
decidam nossa fortuna, corpo meu.