sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Nichos/ Matar o Tempo





SAUDADE É O QUE EU FAÇO
ACORDANDO AS VIDAS QUE EU SONHEI
ORNANDO-AS A ESTES VASOS
ARRANJANDO-AS A ESTAS FLORES
NUM PROTESTO QUASE CARINHOSO
AGLUTINANDO TUDO AO MEU NOVO AFÃ
EM REPETIR BOA NOITE
   ATÉ QUE VOLTE A SER MANHÃ


Nichos/ Niniréquiemmmmmmmmmmm



COM UMA BOA FACA EU PODERIA CORTAR DESSA MORTE E SERVIR UMA OU DUAS GULOSAS FATIAS AO MEU ASSASSINO, TÃO APEGADO AOS PEDAÇOS.




















terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Nichos/ Nossa Senhora Do Lapidar As Vindas




TEMIA
ENTRE UM PENSAMENTO VIVO E OUTRO MORTO
ENCONTRAR AINDA EM VIDA
TUA BENÇÃO CORPÓREA PARA O MEU VÉU-CONFORTO.
DAÍ QUE MORRI.
DAÍ QUE ME MORRO.
DAÍ ESSE MEU PRONTO-ADEUS ABSORTO.







quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Nichos/ Niniréquiemmmmmmmmmmmmmmmmm






EU JÁ ESTOU AÍ. JÁ FUI UMA DE PARTIDA E JÁ CHEGUEI A TI, AMOR. ADEUS É SÓ UMA DAS DUAS ASAS EM ESTAR E EU ESTOU.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Nichos/ O Que Pesa No Que Leva, Leve Deixa Solto O Que Reza




Braço de ousar e de começar
a descrente corrente pisando o dia
o dia, à noite
tentando o outro lado do muro
num gesto inconsiderado em abraçar um outro apaixonado
requentando índoles
mãos operando novos desvalores
PEGO O TEU ROSTO SEM TE TOCAR
QUERO OS TEUS CACHOS ORNANDO MEUS LISOS SONHOS
ARRANCAR DA TUA MORTE O REINO DA MORALIZAÇÃO
E TRANCAR DE UM TUDO NO MOSTEIRO DA TUA SECRETA AUSÊNCIA
o chão em cada pegada antes do ar em me flagrar
valha-me Deus, valha-me uns Nós
No etéreo dum multiplicante vinho e do aguerrido pão;
tua carne, tua carne então.
Amor, onde jazem os remorsos em vão?






Nichos/ Pedigree







DEAR SPIRIT OF MINE;
IN THE NAME OF OUR LEGACY
DO NOT FLY THE BRIGHT OF ME.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Nichos/ Missal








Nicho cravado na tua palma.
O vidro voltado para a tua cara.
Uma única flor: minha ilusão.
Viu aquela procissão?
Sentiu cócegas?
Eram minhas lembranças
Cortejando meu finado orgulho
Amortalhado na tua mão.

Nichos/ Careless Whisper







Quem vê aquele nicho
olha um Santo que diz assim a quem o vê:
– Eu acredito no que você vê e por isso
   eu vejo o que você crê e crer na importância do que eu digo
   é aquilo de quando você me vê. –
E ele guarda sob as vestes uma faca, algodão e brumas.
Mas só para quem não souber viver e morrer (que é um outro jeito de viver sem morrer).

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Nichos/ Farol De Marfim






MORRO NA TUA BOCA
BEIJO DE DEUS
TUA BOCA
NICHO DA MINHALMA
TUA BOCA
MÁCULA CARCOMIDA
CALVÁRIO DA MINHA CALMA
TUA BOCA
SALIVA LÍRIA PALMA
PAZ JÁ DIGERIDA
CÉU DA MINHA VINHA
TUA BOCA
TODA MINHA IDA
TUA BARCA
TOCA A MINHA BOCA
TUA LIDA
LIDA MINHA VINDA
MINHA ARCA E ROTA ROUCAS
POR TUA LÍNGUA RESUMIDAS
APRAZIDA RUMINADA TÃO LAMBIDA
DURMO TUA BOCA
MORDO DA TUA INFÂNCIA
GRITO MINHA ESTÂNCIA: TUA BOCA
                      PURGA E VINGA
                      SORTE E VIDA
                      DA MINHA BOCA

Nichos/ Niniréquiemmmmmmmmmmmmm




E VIU A PENA
CUSPIR MORTE NO POEMA

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Nichos/ Antiquário Fluxo Estremar






MINHA RISADA FROUXA
MINHA BOCA OUTRORA
CORRENDO TEU CORPO ATÉ ONDE AGORA?
ATÉ ONDE E QUANTO FOR DO CORPO DESSE AGORA

ATÉ A CORRENTE ALMA DESSE TUDO ETERNO BEIJO ALEGRE À FORA



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Nichos/ Alfaiataria







Deitou-se no nicho e cantou:

A ALMA PENADA VEM ESBOÇADA
NA PELE DOS PÉS, NA PELE DAS MÃOS
ME LEVA PARA O ESCURO, SENHOR
ARRANCA A MINHA VESTE NO ESCURO DOS TEUS VÃOS.

E pensou:
ENTÃO DE ONDE VEM ESSE VENTO QUE ME COMPELE?
E gritou:
DE ONDE VEM O VENTO QUE ME SEGUE?
E viu um nome.
Mas para o amor já não havia a pele.

Então penou.