domingo, 30 de janeiro de 2011

Nichos/Abuso



E TEM O NICHO DAS CONSEQÜÊNCIAS.
onde eu guardo um grito,
onde eu velo a tua mão,
esse abuso de Deus.

Nichos/ Amor



É FÁCIL INVENTAR UM NICHO
FAÇO ISSO TODAS AS NOITES
AO DORMIR E PENSAR A TUA BOCA
A SANTA ORVALHADA TEMPERATURA
A PERPETUA VONTADE DE TI
CRAVEJADA NO MARFIM DOS DENTES
ROSA MORDIDA
CRUZ SALIVADA
UMA LAMBIDA, UM DOTE,
UM SEXO, UM FLANCO
LENTO
E UMA ORAÇÃO:

                                            POR QUE TE FIZ SANTO?

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Nichos/ 1998,14 de Julho



Sempre fui menos que uma alegria.
Difícil que não exista, barro, uma força inocente e distraída.
(desde aqueles ares é o que eu sei por surrealismo)
demi-mondaine
material
de fazer
menina
corpo fino insone
já insone e desde sempre
a foice sobre o dia francês
no cabelo azul,
cacos da minha bastilha e uma bonina.
No teu grisalho eu teria colocado uma pétala de mim.
É que eu sempre fui tão menos que uma alegria.
Boa noite, Pai.
Tua manhã encerrou o dia.

Nichos/ Niniréquiem









MEU REFLEXO NA FACA ME CEGOU

Nichos/ Santos Funcionários




Esperança caindo da ponta do dedo
 de cada pessoa.
Subterfúgio pelo qual aguardamos...
Uma conjetura,
 um cristal duro e feio,
 uma razão quebradiça.
                                  ESPERANÇA
Escrevemos esse nome na igreja, a Apostolada mãe dos Nichos,
 barroca lavanderia de esperanças e outras tábuas salva-vidas.
E deixamos o nome e a coisa lá.
A gasta esperança.  Não a levamos conosco.
Devolvemos à fonte e, vez ou outra, voltamos para busca-la, limpa e nova e, quando não, brilhante!



quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Nichos/Os bichos



Dorme, nicho.
A probabilidade é amarela, para fora e a diante.
E eu me deito no teu peito, a parede entre o que sou e o que quero. Sonho com um molhado e me acordo lúbrica pousando meu manto e o meu anseio sobre o teu sexo.
Dorme meu nicho. Estou mole.
A probabilidade não sobreviverá ao contar os meus ossos.


                  

Nichos/Decretinho









É preciso que o nicho tenha céu e que o céu tenha nuvens e que as nuvens sejam assim: invariáveis e baças: um torpor com ares de anuência fraudada: Uma saga manchada de azul: Um vomitar algodão. A coisa nuvem no vidro.



quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Nichos/ Bête Noire


Adormeço.
Ouço as minhas e as tuas pálpebras;
Torturam-se.
Sinto o frio da mudez e a leveza das feridas.
O tempo e o cimento, meu bem.
E uma sugestão: toma-me,

ao menos no além.

Nichos/ A Santa Quebrada



NUM POTE DE FELICIDADE,
PROMETERAM-ME UMA LOIRA ETERNIDADE.
VOU,
MAS LEVO AS MINHAS PERNAS.

Norma Jeane Mortensen
Saudades dos queridos canalhas
Califórnia, 1962.

Nichos/ Mary Kelly




Minhas queridas,
  Com um levíssimo beijo para cada mão,
  Como quem oferece uma flor,
  A cada ano ele vem ornar nossas memórias
  com o brasão da imortalidade.
  Sem becos, repulsa, estirpes, odor.
  Um só cavalheiro fez de nós Senhoritas.
  Etéreas Damas lavadas
             pela caridade de uma mesma lâmina,
             numa permanente cor.

OREMOS
   - Para Sempre Nosso,
          Jack, O Estripador.-

domingo, 23 de janeiro de 2011

Nichos/O Nicho Carola




Tua outra estrutura insonhável;
mirra, ouro e essência estelar à feno plumada
por aconchego dos teus tantos
na atitude acalmada;
Vestida à Santa Luzia, menina-poeta,
ofertando ao burgo seu ponto de vista
numa bandeja laureada, repleta.
Trazida por cavalinhos de sóis e de conquistas;
teus dedos; nossa seta.
Nós, populacho esfaimado,
sorvendo da tua concepção
um novo mundo apaziguado
no relicário nicho:
A manjedoura misericordiosa tua mão.




Damos graças à Carolina Caetano; nosso dever e nossa salvação!
  

sábado, 22 de janeiro de 2011

REZADONICHOPESCADÔ/ Começa Assim





CONFORME A ORDEM DO QUE CANTO
DEIXEM-ME MORRER COM ENTUSIASMO
MEU TEMPO É O MEU CANSAÇO
VALENTE É O ESPÍRITO
UM SERVO DE DEUS
REVELANDO EM ONDAS
SUAS FRANQUEZAS E FASES E LUAS
DURANTE O CASAMENTO QUE ENTRELAÇA
TODO O INALTERÁVEL
DA MINHA ALMA COM O MAR.