quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

REZADONICHOPESCADÔ/ Voltas Aos Montes – De Três em Três, Marias – VII





   Maria de Adventos
comprara o banco enferrujado na praça. o banco de costas para a praia, comprara. agora era uma de ficar só, de costas, uma de ficar de costas para a arapuca, uma de viver pelo trote dos passantes, pelo faro das crianças, a consternação do pipoqueiro. era agora uma de viver pelo tato e vinda dos outros.


   Maria do Rosário
contava Maria do Rosário, uma reza por vez, orava, orava, uma conta por tez, levava Maria do Rosário, as esperanças nos joelhos, esfolava Maria, ia, prestando contas a Deus dos quandos aos cais dessa cruz.





   Maria Encarnação
sem surpresas, via-o no rubro descascado das unhas, via-o cruzando os lençóis brancos do varal e do para que tanto de lençóis, tanto de branco num vermelho que tão. via-o numa maré de toques aos lençóis, ancorando da mansidão num misto de brancura e cheiro de coito suspenso, dueto de Céu e Terra em marchinha interrompida, esqualidão, tudo assim, sem muito de surpresas, manchando nortes aos lençóis, pisando a indiferentes oceanicos de sabão, tudo nas unhas, tudo nas unhas de tão vermelho-sujo a diária encarnação.

3 comentários:

  1. Ave Marias. Excelentes, todos. Maria Encarnação, um espetáculo à parte. Muito bom ter vindo aqui. Volto. Tem muito pra ler, pelo que percebi. O tempo me limita (um dia me livro dele), mas volto.

    Abraço.

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  2. cê tá dorminaqui dolado... Ai...

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