quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Nichos/ AquaPlay – 6





Começa que chove
Deito-nos no azado asfalto
É tanta a chuva que não se ouve nada além
Dos gravíssimos acidentes
Sacrificadas glutonas gotas
Abro-nos os olhos. Todos.
Agora sim. Agora esperamos que ela seja.
Esperamo-nos e que ela seja, esmagando a retina, seja.
Seja ela a gota sola.
A gota do nada, nada tão mais que vazio, seja.
A gota em que nem um mundo haja, a nós, nos seja.

2 comentários:

  1. Bom, muito bom. Gotejou nos meus olhos e causou forte impressão. Gosto disso, quando o poema impacta. Muito bem construído mesmo.

    Só aplaudo.

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