sábado, 5 de novembro de 2011

A CASA DA ORDEM,DOS MODOS,DO AMOR E DA PAIXÃO – estada 1



                               
            (embirrada reforma desse antiguíssimo remoque estrutural)





    CAI A NOITE.

PORTÃO.
O portão é duro e simboliza a própria casa enquanto dura.
Em quando o período entre fora e dentro da casa, dobradiças gritam uma espécie de mandinga curva, digo, hífens da filosofia, digo, hífen.
Curvas e setas em aço despontam cômodos aflitos. Neles, Ordem, Modos, Amor e Paixão, não exatamente nessa Ordem, transitam fantasiados de gosto, barulho sem Modos, cores e tato.
Venha sem escafandro, se você for macho.
Nossos moveis fedem a fogo-fátuo.


JANELA DO SALÃO PRINCIPAL.
O Jardineiro desenha no vidro uma cadeira de terra.

    


SALÃO PRINCIPAL.
Tarde da noite.
Ordem e Modos jogam Damas.
Frente a frente, Paixão e Amor.
E eis que o abjeto espelho trinca.
Os Modos vencem. A Ordem some.
Nova partida. Paixão contra Modos.
O Amor assiste a tudo torcendo para os Modos.
Vence a Paixão. Modos some.
A Paixão re-decora todo o salão.
Típico. Faz do teto o chão.
O Amor se diverte ao notar seu rosto multiplicado nos cacos de espelho.


RELÓ

Um comentário:

  1. Impressionante sua exploração da linguagem, penetrando em "lugares" profundos como quem entra em sua própria casa, outras como quem chega arrombando a porta.
    Parabéns pelo blogue,

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