sábado, 26 de novembro de 2011

Nichos/ AquaPlay – 5





inda estás a passar
inda flocos e gentes e cachecóis
inda entre as gentes, outros tempos
idas e vindas em blocos duma ponte rente dessa
vias e vias, essa porém
indo o Big Ben
atrás desse tempo inclinado
um Cristo redentor que de tanta redenção
pisca a ti como quem conta uma mentirinha d’água
como quem ri ao Pai
menino que é
a sacudir o globo-de-neve para ter-te pendurado aos gritos
aquário de gentes a brincar de templos em tempos
como quem pede à um Cristo
um Cristo a mostrar-te do tamanho dos braços daquele nosso tempo aberto
dum globo dantes
bem dantes que tão do quando
atravessastes
a vida a ficar num suvenir de tempo acirrado
com uma Rainha tão antiga que nevasca plena com vista, digamos, para Ipanema.



A CASA DA ORDEM,DOS MODOS,DO AMOR E DA PAIXÃO – estada 3




    CAI À NOITE.

BIBLIOTECA.
Antes que amanheça, a Ordem arruma a enciclopédia da História Humana, bastada Metodista.
Paixão não é um método de amar.
Amor é uma arte e nem todo mundo é artista.


BANHEIRO.
Vazio barquinho de origami em águas mornas de uma atormentada banheira de uma mulher profundamente noturna.
Barquinho de origami na noturna tormenta das mornas e profundas águas de uma banheira vazia de mulher.
Um barquinho é a morna e profunda banheira de uma mulher vazia e atormentada por noturnas águas de origami.
Mulher de origami num barquinho se aprofundando no noturno vazio das águas de uma banheira atormentada e morna.
Banheira de origami;meu barquinho de mulher na profunda tormenta das águas mornas do vazio noturno.





CORREDOR.
No corredor anda torta a Ordem encapuzada.
A Paixão deixa pegadas no tapete moralista, lambe cada sibila no papel de parede.
Ouço passos arrastados. O Amor demora encantado com o lustre, com detalhes que só ele vê.
Novos passos. De novo o Amor
revivendo o corredor. E de novo. E de novo e.
Quem passar por lá terá da sensação de estreitamento dos sentidos.
Tudo o que anda em Modos de via compactada fica mais acurado, pastoso.
Passo ante pasto. É o Amor. Ele adora o corredor.


DORMITÓR

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

PISCA-PISCAORACULAR/ orbes-de-artifício - 5







tocamo-nos e a Noite,
das mãos que nos escorrem sob a escuridão,
indo por entre, inda por sobre os sulcos dos dedos nessa Musica, conforme o Dia a tocar-nos desse Chão, dança como quem dança pela primeira Vez pairando o influente lustre que é a nossa cidade, correndo o Primeiro descendente Risco arado dum rubro salto-alto ou Presa à Cintura do Dia, Chorinho Entre as Mãos.

sábado, 19 de novembro de 2011

PISCA-PISCAORACULAR/ orbes-de-artifício - 4





atinadas as águas desse mar de cima
atinadas são
inda danadas baleias, nuas cortesãs de peso atiçando os peixinhos dos olhos vãos.




terça-feira, 15 de novembro de 2011

PISCA-PISCAORACULAR/ orbes-de-artifício - 3





HOJE, dizem os Camelos de noitinha, PELA ÚLTIMA VEZ, HOJE. E não morrem. E não morrem nunca de sede.

HOJE, dizem nossas Bocas, PELA PRIMEIRA VEZ INDO AMANHÃ. E vivemos babando da sede que nos mata há noites.




segunda-feira, 14 de novembro de 2011

REZADONICHOPESCADÔ/ Felicidade Predatória





ai, o dia corre largo, suicida-se do tombadilho e por tão pouco o pescadorinho desata a escuta do abandono à pesca noturna, a boca, a boca desse mar indo longe lamber tão perto, menino dos bruços ouriçados, menino crescendo à sonhos com paetês, o nacarado das perucas que crescem, cresce o menino, cresce que manca da voz feito sereia arrependida, esdrúxulo ai em ter trocado a voz por uma escova de cabelo e um par de botas onde apenas um não caber do rabo só, couro de cabrito, couro de cordeiro, o couro do quê dum marinheiro, ai, escova-te menino de fome, escova-te que por hora a noite é quem te pesca, é quem te calça e quem te aplaude, é a noite, menino e menina, é a noitinha quem te enraba, quem te cospe e então te come.




quinta-feira, 10 de novembro de 2011

PISCA-PISCAORACULAR/ orbes-de-artifício - 2




As pomba na praça fizero formato de anjo, no chão, voano, por causa do sol.








PISCA-PISCAORACULAR/ orbes-de-artifício - 1






começa com o Mundo duma volta aos Julios em 80 balões

não creio que o vaga-lume extraia grande petulância do fato indiscutível de ser uma das maravilhas mais fenomenais deste circo e, apesar disso,bastará supor que ele tem uma consciência para compreender que,de cada vez que a sua barriguinha se ascende,esse bicho de luz deve sentir qualquer coisa semelhante a uma cócega de privilégio.
   JULIO, o CORTÁZAR




E Fíleas fogg havia ganhado a sua aposta. Tinha realizado em oitenta dias o seu temerário projeto. Havia utilizado todos os meios de transporte: navios, trens, carruagens, iates, barcos de carga, trenós, elefantes... O excêntrico cavalheiro tinha demonstrado naquele empreendimento as suas maravilhosas qualidades de sangue frio e exatidão.
   JULIO, o VERNE






      e vai. e vai e.

sábado, 5 de novembro de 2011

A CASA DA ORDEM,DOS MODOS,DO AMOR E DA PAIXÃO – estada 2




    O QUE CAI À NOITE NÃO CESSA.

RELÓGIO.
Crerás num outro tempo. No vazio e no cheio das horas.
Nuns ponteiros que te acalmam os ouvidos.
Nuns segundos que adotam teus caminhos.
Saberás o ponto exato do Amor sem saudade e da saudade sem dor.
Entenderás o encanto das lágrimas, a importância da escória.
Na Ordem dos valores, acalentarás a desmemoria.
Verás uma canção de terra e cantarás a seara humana.
Domarás a Paixão convencendo-a mediana.
Será um tempo corrido num fluxo circular quase perfeito.
Um novo MecanismoRelógio será eleito.
Movido a árias, olhos e intentos.
RelógioConversor. Converterá lutas em alentos.
Transformará em aves os sofrimentos.
Relógio galopante, Relógio lento.
E perderás a noção do TEMPO, pois o teu relógio será escondido
na estreiteza de um firmamento há muito já sabido.
No peito daquele Homem que a ti se fizer rendido.
E perderás a noção do TEMPO.
E perderás a noção do TEMPO.
E perderás a noção do TEMPO.
E perderás a noção do TEMPO.
E perderás a noção do TEMPO. Ai. E perderás a noção.





JANELA DA COZINHA.
O jardineiro desenha no vidro uma cadeira de terra.





COZINHA.
Modos - Carla, Carla, Carla! Comeu de novo as próprias iscas.
Isso lá são Modos impressionistas?


BIBLIOT

A CASA DA ORDEM,DOS MODOS,DO AMOR E DA PAIXÃO – estada 1



                               
            (embirrada reforma desse antiguíssimo remoque estrutural)





    CAI A NOITE.

PORTÃO.
O portão é duro e simboliza a própria casa enquanto dura.
Em quando o período entre fora e dentro da casa, dobradiças gritam uma espécie de mandinga curva, digo, hífens da filosofia, digo, hífen.
Curvas e setas em aço despontam cômodos aflitos. Neles, Ordem, Modos, Amor e Paixão, não exatamente nessa Ordem, transitam fantasiados de gosto, barulho sem Modos, cores e tato.
Venha sem escafandro, se você for macho.
Nossos moveis fedem a fogo-fátuo.


JANELA DO SALÃO PRINCIPAL.
O Jardineiro desenha no vidro uma cadeira de terra.

    


SALÃO PRINCIPAL.
Tarde da noite.
Ordem e Modos jogam Damas.
Frente a frente, Paixão e Amor.
E eis que o abjeto espelho trinca.
Os Modos vencem. A Ordem some.
Nova partida. Paixão contra Modos.
O Amor assiste a tudo torcendo para os Modos.
Vence a Paixão. Modos some.
A Paixão re-decora todo o salão.
Típico. Faz do teto o chão.
O Amor se diverte ao notar seu rosto multiplicado nos cacos de espelho.


RELÓ