domingo, 30 de outubro de 2011

Nichos/ Niniréquiemmmmmmmmmm




  BOBA, SONÂMBULA, MINHA ALMA ERGUEU-SE A ACOMPANHAR O CORTEJO FÚNEBRE DO CORPO. INDA REPETIA: QUERO O OSSO DISSO. QUERO O OSSO DISSO.
  CADELA VADIA.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

REZADONICHOPESCADÔ/ Voltas Aos Montes – De Três em Três, Marias – IV







Maria Clara
   onda argolando onda e enquanto não, cuido dos objetos miúdos pois que é um perigo que a vida em vento a rondar estes sobranceiros seres interfira na quebra.

Maria Liz
   seguiram-me aos solavancos. digo que seguiram-me arraias desse mar de cima. seguiram-me. sopravam dos meus cabelos, elos e erros, erguiam do fundo, toda a minha calma de areia. seguiram-me da decida então da plana busca dos olhos à beira-mar, quase devagar como eu e como eu, acharam por direito que  ferrões fossem fincados à paisagem só.

Maria Izolda
   lembrou-me a vez em que fomos conhecer da agricultura mais ao interior e dizias da ventada dançando o trigal, dizias dessa nova espécie de mar, tome das ondas, dizias, tome das ondas, Zildinha, lembrou-me, lembra-me, parecendo a mim, dirias, que dessa nossa espécie de gente, o retorno há que confundir o pão.



DIAPHRAGMATICOS/ velas o que capturas, instantaneamente, vês - 1




      

desse teu ângulo de agora, achas que saí a quem, Pai?


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Nichos/ PetNicho XVI




e se o sapo fosse
incontestável nicho de pedra?
insistiria em mosca
indeparável
a língua de pedra?


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

REZADONICHOPESCADÔ/ Tantas Ruínas Dantes, Tanto Haverá




no cavo do chapéu da noite
tanta de mar
onde havia nevoeiro aos tonéis
donde haverá
nevoeiro a baldear
tanto de véu, todavia de nada
a tapar-me da pesca
o menino d’água
rebuscado tanto ao todo de mim
erguendo tijolos e mais de tijolos tantos
alçando do muro a separar
tanto do tanto mar de tanto do tanto amar





Nichos/ AquaPlay – 4




ai do vidro gelecoso
dessas naves d’água pousando olhos, indo a goteira
espalhando repetidos olhos
que sabem olhos
olhos, que sabem
ateando fogo ao inteiro do instante de olhos
que sabem
do instante em que, múmia não fosses, elogiarias meu corte de cabelo ao estilo MaculeiTudoNaEnxurradaQuerido.



terça-feira, 18 de outubro de 2011

REZADONICHOPESCADÔ/ Voltas Aos Montes – De Três em Três, Marias – III







Maria Kanay
   o avô pescou a mãe da mãe, caída há poentes eras do fortuito coito, a imigração. agora o marido evolverá o corpo na procura do delicado farol de papel que Maria Kanay constrói junto aos filhos, estes que serão japoneses de ocasião.

MariaMaria
   pois que voltam e voltam os olhos o descaminho das mensagens engarrafadas a me espancar as margens dos sonhos pois que das mensagens umas em jazer docinhos e fados, umidades que só dessa terra azulejando a fé.

Maria Valencia
   sonhou um touro saindo d’água, vitorioso d’água, um tanto machucado, o mar já cuspindo tortas ondas, espumando o resto de vida em quadros com peixes podres, velhos moinhos e imensas caravelas em garrafões de sangue.



sábado, 15 de outubro de 2011

PISCAORACULAR/ DESSES NICHOS TEUS – 13







por que coelho não usa óculos para pescar?
por que teus óculos não pescam o coelho?
por que a pescar coelhos iças dos óculos?
porque precisas comer mais cenouras ou aumentar a vara desses nichos teus.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

REZADONICHOPESCADÔ/ Voltas Aos Montes – Lya






  — talvez da nossa romãzeira, um ramo acochado da onda arranhando os joelhos e no que volto os pesados cílios ao mar, MarioMario, tenho teu barco, para mais de doze homens, MarioMarioMario, teu barco e homens presos no periscópio da mão e então espremidos no alicate dos dedos esses que uma vez te salvaram duma espinha de atum e então meticuloso ponto carmim, porta de começo ou fim, ensejo de paisagem divina, estica a preguear a retina, ah, MarioMarioMarioMeu, Deus é um ilusionista nato dado a dar de ramos aos estúpidos nós em mim.



sábado, 8 de outubro de 2011

REZADONICHOPESCADÔ/ Voltas Aos Montes – Sônia





volte, César. volte ao menos a podar desses galhos da solidão. daí que, das voltas ao mar, melhor verás dos dentes a podar dos lábios e destes, os lábios, dos quandos sobre o gemido, um podar-me das horas embutindo de novas palavras entre os gestos da sobrevivência à mesa de fronte para a moita, de costas para o salgado teu eterno indo meu xale acolchoado... ai, quero vagar, César, quero vagar da forma que vaga-me o acento no teu barco, um anzol no mostruário, arestas no fundo do oceano mais que desse além de lá. quero porque quero vagar e o meu alimento terá do afiado intento até que mais da poda a sobrevivência pedirá: volte, César. volte ao menos para tornar a voltar. 


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Nichos/ The Discharge Play/ rubrica - II







(nessa Hiroshima
 a cada LittleBoy
 Koko pousa
 do couro, da cereja e da retina
 sobre a neve que faz erguer dos sulcos
 num mínimo grão de arroz
 pois que em Koko
 são mais de mil dessas bombas com nome de guloseima para picnic
 pois que em Koko
 são mínimos os danos aos sulcos no arrozal
 da cidade de neve burilada a ferro na palma da mão)





quarta-feira, 5 de outubro de 2011

REZADONICHOPESCADÔ/ Voltas Aos Montes – Lívia





salvando gotas ao nosso rastro na banheira ainda rendada à tua espuma
                         (ou, de memória desnuda, sentar-me junto à da janela, desenharmos, a quatro mãos, dois corações e um crânio no bafo reflexo pulsante e, sabe Deus, pentear estes cabelos teus).



sábado, 1 de outubro de 2011

Nichos/ Estampas Para Sê-los - Lambida n°4

   


e vestida dessa dança
mancharás os dias de quintal
e o quintal das noites do teu carnoso olor de lilá.
daí que recebas já, amor e amor
uma xícara desse chá
somado a dois ou três torrões dum afrescalhado espraiar.









REZADONICHOPESCADÔ/ Voltas Aos Montes – Dora




hoje foi mais um dia de bonitas tangerinas na feira. e nesses dias detenho-me a pensar, pesando, os dias das feias tangerinas de feira. volto pra casa, aparentemente, desfaço-me dos caroços, d’algum bagaço e faço-nos a geléia mais da cor que da fruta. somo esse pote ao armário e penso no quanto eu gostaria de dizer aparador desses potes do sol que nunca alastra a me cessar, porém ele, o armário.



/ hoje, inda que amanhã, nalgum lugar dessa nossa cidade, outra feira e o ato de partir inda que tangerinas ao meio, hoje / 


Nichos/ Estampas Para Sê-los - Lambida n°3









‘pois que são só guarda-sóis em teu peito
e amor não sossega por nada’


inda sobre, diria sob, guarda-sóis, amor
desse tento, dessas nossas bobagens
o ar livre
a comer infindáveis carolinas
ainda que, amor, amor
sem demora já
arranjemos para um sempre
de acender a flor ao que tua mãozinha fizer-me castiçal
inda sob, diria sóbria toalha do piquenique
possa o sempre-sempre dessa nau
fuso-fuso, sob o sol, nossa guarda que sois, o quintal.

(bilhetinho com a camisola atoalhada dançando o caminho a te ofegar)