domingo, 31 de julho de 2011

Nichos/ PetNicho VIII



quê nasce o que me come do teu olho?
(é a Ursa quem me vê)
(quer levar-me aos dentes
 como Ursa que leva seu Ursinho
 ao quê
 atravessa o raso do rio do quê)
nascer pelo quanto quê
que me devora e cuida
do teu olho; desfio-me feito peixe fresco, Ursa,
tanta Ursa que maior, que urrados meus nascimentos pelo teu cuidado, que eleva a que do olho vê olho, olho, nicho em pêlos e patas de toque dum misto de mel e castanhas mistas do quê.



sábado, 30 de julho de 2011

Nichos/ PetNicho VII




à sombra
esse boi que me olha do olho da tua lábia
na aureola da tua ruminada palavra, me olha
e me vê como quem vê pasto nesse porquê:
teu prado,
minha lambida vida, teu agudo rabo balouçando minha sombra,
perseguida ida, à sombra, dividida.


sexta-feira, 29 de julho de 2011

Nichos/ Um Bordado Assim e Assim



deito-te sobre o caderno de sonhos
vejo um teu medo passado
próximo da respiração de medo ofegante, digo, de medo e que dizer-te com medo, ofega ao mundo que vejo, um terrível instante,
donde a concórdia? donde a concórdia, meu bem? Estou a plena borda do dia do nicho a nascer morrendo desse medo.


PISCAORACULAR/ DESSES NICHOS TEUS – 6




lindo nicho avitrinado de um náufrago agigantado orgulho. ai, esses mares de cima. ai, dessas marés.  

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Nichos/ Esse, Coração!


abro o regaço e como em fotografias
abrando o ritmo-crescimento dos cabelos brancos, coração
da lã e do frio contidos nos que fazem
dentro de limites amanteigados, jazem
simultaneamente, halos e parênteses a nós
eu arrombo e apunhalo todas as metáforas
cuido da cútis
do ermo entre as pernas
que prometo, coração
teu é o complemento de golpe no sono entreaberto
empurra o corpo, esse teu, contra a minha questão mais limitada
sobre o olho gigante, gigante faça-se eriçada
paisagem ao meu ângulo, fotografa
Doendo comigo uma obediência, uma aquiescência e na varanda da barriga, fotografa
seja, seja e seja, coração, película de luz, perpetua e seja, ao mesmo tempo, coração e coração.


terça-feira, 26 de julho de 2011

Nichos/ PetNicho VI



morre o elefante, fica o imenso do couro da memória orbitando as gentes. morre um elefante, diz o menino e nem chega a chorar quando se caem uns dos seis dentes. morre o infante, diz o marfim.


domingo, 24 de julho de 2011

PISCAORACULAR/ DESSES NICHOS TEUS - 5



donde nascem, morrem, morrem?, morrem, donde nascem as cabeças dos crocodilos mais afoitos, afoitos?, afoitos nascem a morrer?, morrem? vela-te. vá-te-te ya, te-te ya, te-te ya.


PISCAORACULAR/ DESSES NICHOS TEUS - 4




que velam teus nichos aqui e ou aqui?



sexta-feira, 22 de julho de 2011

Nichos/ Fotossintático, Amor




entra o ar pela narina que te abraça;a direita. direita narina, narina, essa que te finge um bom dormir já que vence-vence um me sonhar, sonda-me. sonhando-te em modos de realidade de milho, narina esquerda, pinta em plena palma, calma, Fernando, calma, goiabada, nichos dessa terra tua e da ordem dos narizes tão pungentes que teimam, que teima a vida através dum trem de monóxido de carbono, viaja, viaja e eu te amo tanto que dorme, durma, meu amor, lento nariz de flor, trem, um trem que (quando entra o ar. entra como se entrasse assim. narina e pinta. como se eu sorteasse a vida e a viola ao que segue desenhando-me teu ar.)

                            




terça-feira, 19 de julho de 2011

Nichos/ Porta o Retrato


podia tirar
tantas e tantas fotos românticas do teu todo junto da estátua no bosque primaveril e ainda assim, meu bem, a legenda na tua testa diria desses teus sonhos luxuriosos.



sexta-feira, 8 de julho de 2011

PISCAORACULAR/ DESSES NICHOS TEUS - 1




que velam teus nichos aqui e aqui inda aqui?



Nichos/ 1998,14 de Julhoo




sangra borrando essa imagem que morre horas comigo
tijolinhos do nicho dum dia em cinzas
onde a infância arrependida
tem da tua voz tão longe
bronqueando
FILHA, DEVÍAMOS TER BRIGADO MAIS.


Nichos/ Um Homem Só




São as cinzas do que for ficando para trás.
Esvoaçam teus dias, tuas noites. Vão-se.
Ficam e vão-se.
São lutas indo berros e bêbadas canções.
São pedras e sombras que ficam e vão-se. Vão há séculos.
Vão a mundos e manhãs e depois terremotos então flancos em cinzas.
São eriçados entraves e talhos nos teus testículos de boi.
Antigas córneas e velhos ciscos d’alma.
Fios de cinzas e cinzas em fios que ficam, perduram, porém para trás daquilo que em cinzas já vai queimando esse teu coração em pó, esse teu instantâneo para o amor.



domingo, 3 de julho de 2011

Nichos/ PetNicho V



Coisa mais triste é um caramujo nicho vazio no jardim.
Biografia espiralando fim.



O fim duns bichos e dumas coisas
    Aqui ó O O DOS O DAS/ 3 e 2 e 1


Nichos/ Niniréquiemmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm



NA MARGEM DIREITA ACOSTA-TE A CONTEMPLAR A OUTRA.
DIGA:
    METÁFORA DE MORTE, REBULIÇO DE VIDA.
ENTÃO FUJA PARA AS MONTANHAS.
NÃO LEVE O CANTIL.


Nichos/ PetNicho IIII



Girafa não morre não.
É que da girafa a morte não enlaça ao chão.




A girafa, segundo o gato do blog da vizinha

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Nichos/ Um de Montar






é simples o nicho

como simples é o amor que se monta
a anuência entre os olhos dela
desce ao nariz inda nessa direção de encaixes onde no peito do moço, um ângulo em incorruptível coroação jaz
ele que fornecerá a ela causas e quinas da tal despreocupação
e em dadas, mão com mão, digo, e é que quero te dizer de encaixes,
seguem matemáticos, namorando a colméia de paralelepípedos
   nas colméias, diz o macho, tudo é criação, tudo-tudo é criação
sentam-se ao banco férreo e este revela o mais do contraste da desmontagem que vai do ocre, sem muito esforço, ao terra-cota da pipoqueira e então ao mais simples carmim
simples, simples
como um nicho simples ou como esta simples fotografia de que eu te digo, simples assim, como a foto dum punhal em desmanche, como montar um puzzle afim.

Nichos/ Espiralar





Roçam meus dedos o vento e dão-se por um só, dedo, vento e dedo, na espiralada viagem as destinosas orelhas tuas. Ouve como eu desço a escadaria da tua concha. Ouve um meu beijo a quebra-mar. Vê? Viu como eu escrevo albinas focas, lindo-coral-de-sinos e colar de barbatanas pelo ar?