sexta-feira, 4 de março de 2011

Nichos/ Cabur Talorien – o nicho vivo




EU GRITO.
ENQUANTO VOCÊ SORRI, PORCO CABRITO ARADO,
NA JANELA DA MINHA BANIDA VIDA
OU NA JANELA DAS NOTÍCIAS NA TV,
NA VITRINE DUM PORQUE.
EU GRITO O TEU TAMANHO NO PLANETA, NA MINHA TELA JANELA,
NUM TOM QUASE VULNERÁVEL.
TÃO ÁRIDO QUANTO VOCÊ.
TÃO CORNO QUANTO A CARA NO PÃO.
TÃO SÉPIA, TÃO DESERDADO E TÃO.
AS VIZINHAS QUE ME PERDOEM.
A JANELA QUE ME PERDOE.
E O CÉU.
ONDE QUER QUE ESTEJA O CÉU QUE JÁ ME PERDOA À NÃO.
FUI PEGA GRITANDO VOCÊ.
GRITO QUALQUER OUTRA COISA
E MORDO A LÍNGUA;
A TUA E NINGUÉM VÊ.
MEU GRITO É A MINHA MANADA DOR.
É O VÍTREO-VENENO DA NAJA ESTILHAÇANDO A PONTA DO TEU DEDO NA MINHA REMOTA FLOR.
TRINCA AS TAÇAS LACRIMAIS.
DERRAMA AREIAS AOS MEUS PRIMORDIAIS.
DO ORIENTE DA JANELA, MAIS JANELAS DO ORIENTE
DESTROÇAM, DO MURO, AS LAMENTAÇÕES
LASCANDO DE DENTRO DA TENDA O TOM
CHAMUSCA O MEU TODO DESPUDOR
TAMANHO E ORDEM É O MEU PAVOR;
EU GRITO.

MAS NINGUÉM VÊ O MEU GRITO.
AO MEU GRITO, NINGUÉM VEM.










4 comentários:

  1. Ahhhhhhhhhhhhhhhhh!

    Sei como é...

    Beijinho.

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  2. O cabrito foi lançado pela janela, a dentro. Janela a dentro foi a coisa mais parecida com o mundo que ele já viu. E, ai, janela a dentro, o cabrito pode mesmo parecer grande, pequeno, de ar. E, ai, janela a dentro, ele poderia mesmo voar sem fim, sem algum fim.

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  3. E sabe quando as coisas gritam-se janela a fora? Eu diria à hora que fosse pra dentro, volta pra dentro, volta tudo pra dentro.

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