quinta-feira, 17 de março de 2011

Nichos/ Através




Quando o espelho é o nicho do orgulho.
Quando o orgulho é o nicho que resta
ao divino do coração,
nicho da dor onde o que reflete
é o orgulho ao espelho da razão,
nicho da velada beleza imperial,
bicho da cerceada humanidade animal
quanto ao espelho, entidade acidental.

3 comentários:

  1. quano qand quand.quase quântico, hã?

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  2. O cão no matagal, eu sou o cão no matagal


    Sou o cão no matagal:
    espera, tu deves esperar
    o vento há de cessar
    resta aquilo que move-se onde
    alertas: há vida, há vida naquele sítio
    o sítio deve ser um corpo
    e o corpo em sê-lo
    há vida agora porque move

    Espera, tu deves esperar
    a vida há de cessar
    resta aquilo que move-se onde
    alertas: há tempo, há tempo naquele monte
    o monte deve ser um corpo
    e o corpo em sê-lo
    há tempo agora porque move
    Espera, tu deves esperar
    o tempo há de cessar
    resta aquilo que move-se onde
    alertas: há ar, há ar naquele ruído
    o ruído deve ser um corpo
    e o corpo em sê-lo
    há ar agora porque move
    Espera, tu deves esperar
    o ar há de cessar
    resta aquilo que move-se onde
    alertas: há mais ar, há mais ar naquele corpo
    o corpo deve ser um corpo
    e o corpo em sê-lo:

    sendo obstante palavra
    que trinca, molhada
    da parte de dentro do corpo
    e o corpo em sê-la: dizes
    que há, há mais ar, e ainda.

    Sou o cão no matagal
    estas paragens observam-me
    há tempo
    e ao meu sítio: o corpo
    observa, tu deves escravizar o meu corpo
    e há demasiado vento, o ar.

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