terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Nichos/ Farol De Marfim






MORRO NA TUA BOCA
BEIJO DE DEUS
TUA BOCA
NICHO DA MINHALMA
TUA BOCA
MÁCULA CARCOMIDA
CALVÁRIO DA MINHA CALMA
TUA BOCA
SALIVA LÍRIA PALMA
PAZ JÁ DIGERIDA
CÉU DA MINHA VINHA
TUA BOCA
TODA MINHA IDA
TUA BARCA
TOCA A MINHA BOCA
TUA LIDA
LIDA MINHA VINDA
MINHA ARCA E ROTA ROUCAS
POR TUA LÍNGUA RESUMIDAS
APRAZIDA RUMINADA TÃO LAMBIDA
DURMO TUA BOCA
MORDO DA TUA INFÂNCIA
GRITO MINHA ESTÂNCIA: TUA BOCA
                      PURGA E VINGA
                      SORTE E VIDA
                      DA MINHA BOCA

9 comentários:

  1. A colheita é das mãos
    o nicho que assemelha mais de um corpo
    a um cabido dentro das mãos
    A colheita esparrama os olhos
    o tamanho da colheita é o da mão
    como o tamanho duma única alma
    sobre todos os corpos

    Sobre o corpo do primo distante
    que veio deitar-se à cabeça
    estão todos os corpos sobre a cabeça
    no tamanho das mãos.

    A colheita é um objeto quente
    em demasia
    que espera ser tocado
    ou precisa
    A tua alma é o tamanho da mão
    da imensa mão sobre todos os corpos
    e tu roubaste os nomes
    que recolhe o idioma
    A colheita é um ferro em brasa
    que precisa ser tocado
    em demasia
    e a tua mão é o tamanho
    é o tamanho dos nomes
    abraçando o ferro.

    A colheita é o corpo que adormece
    no paiol e na vidraça
    é o corpo miúdo salpicado na palha
    que precisa ser imenso
    em demasia
    A tua mão é o tamanho daquilo
    que dizes
    é o demasiado tamanho daquilo
    que dizes.

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  2. li coisas muito boas por aqui...volto!

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  3. Beijos de sangue, ladrões da alma, beijos que inquietam, acendem o espírito ...

    Beijos,
    Jorge

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  4. Desses lugares feitos para se afogar.

    Beijo-moça-sedutora-de-palavras! ;)

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  5. Que lindo!!!
    Eu quase morri ao ler.

    bj
    Rossana

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  6. A boca é o resumo. Corremos o mundo. A carne sim, vontade do espírito. Mas o amor pode estar na Alma. Poderia haver o encontro de almas através da união das bocas, depois da carne.
    Belíssimo poema. Profundo!

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  7. A música que me trouxeste
    ainda desconheço, não é minha
    há alguns meses o tijolo, a casa,
    o passarinho que morre, a enseada
    eu desconheço
    uma inteira infância olvidável:
    “conhece-te a ti mesmo, conhece-te
    a ti mesmo”, não há nada
    aqui, ao redor e dentro da palavra
    retomar e findar, incessante
    retomar e envelhecer
    quantos anos correm na tarde
    e na teimosia da música
    a que tu me trouxeste

    Dois terrenos se abrem
    o que disseste de estares farta
    de estares outras
    de estares aqui ao redor e dentro
    da palavra – dois terrenos se abrem
    continua-se aquilo que estende a hora
    e arrebenta-se abaixo da âncora

    Duas noites encontram-se
    e emparelham-se de novo
    tudo converte-se ao pormenor e ao arroio
    ou tudo roga ao redor e dentro
    da noite e do feliz curso dos corpos

    perdi-me no que dizia
    e perco-me, o arroio, o corpo
    o arroio e o corpo entenderem-se
    e emparelharem-se de novo
    tudo converte-se à teimosia desta música
    a que tu me trouxeste

    perdi-me em tudo que digo
    penso que, sim, que nada, sim
    ao redor e dentro da palavra
    a teimosa palavra
    a que tu me trouxeste.

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  8. Carla
    o poema tem um ritmo que me vi mordendo os lábios.
    Esse beijo que beija todo o universo do ser e do não ser. Forte heim garota!

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