sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Nichos/ 1998,14 de Julho



Sempre fui menos que uma alegria.
Difícil que não exista, barro, uma força inocente e distraída.
(desde aqueles ares é o que eu sei por surrealismo)
demi-mondaine
material
de fazer
menina
corpo fino insone
já insone e desde sempre
a foice sobre o dia francês
no cabelo azul,
cacos da minha bastilha e uma bonina.
No teu grisalho eu teria colocado uma pétala de mim.
É que eu sempre fui tão menos que uma alegria.
Boa noite, Pai.
Tua manhã encerrou o dia.

3 comentários:

  1. LINDO, Carla!

    Encerrou com chave de ouro. Eu também sou 1/4 da alegria.

    Beijos

    Mirze

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  2. Em primeiro lugar este retrato com cores de anos 60 me parou numa rua, olhei para um lado para o outro nas letras, versos? desses nichos vi um pêssego, um girassol não sei, na frase que diz sempre fui menos que uma alegria. Alegria incompleta, pensei, alegria que pode ser mais amanhã, ou logo, que já são 19 horas nesse horário de verão que estende as tardes como um longo varal de roupas claras, sim pode ser uma alegria, com um pedaço a mais, logo mais quando a noite cair neste verão de ventos bons soprando sobre o porto e a cidade. Ao pai? ao pai queria ser mais, sim, aos olhos dos pais no que queremos lhes corresponder as expectativas sempre somos menos. Erro? Tomo a rua errada? Volto, é na poesia, poesia soma, junta, multiplica, aumenta, mesmo quando a tristeza corre, escorre, chuva na vidraça, poema lindo. Parabéns.

    Um beijo

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  3. No meio do redemoinho uma pepita de fogo chamada "pai".

    Maravilha

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