sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Londrix Apresenta: Sarau Carla Diacov )HOJE(




:D

"Carla Diacov tem raízes criativas na cidade de Londrina, onde se formou na primeira turma da Escola Municipal de Teatro e foi uma das fundadoras do TOU (Teatro Obrigatório Universal), realizou montagens memoráveis como ‘A Valsa Número 6’ (Nelson Rodrigues) e ‘A mais forte’ (August Strindberg).
Depois de se afastar do teatro, Carla passou a manter um blog e uma badalada página no TUMBLR, que ela alimenta constantemente com suas criações poéticas e visuais, destes trabalhos, surgiram 3 livros de poesias, 2 publicados em Portugal e um no Brasil.
O Sarau Carla Diacov é uma homenagem e uma celebração da obra da autora, que não estará presente, mas será muito bem representada por sua obra e um grupo de mulheres envolvidas na cena criativa da cidade de Londrina. Elis Regina Monteiro, Vivian Campos, Giovanna Triani, Thais Bastos Fernandes, Suy Correia, Mel Campus, Chris Vianna e Camila Fontes aceitaram com disposição a tarefa de apresentar ao público poemas publicados e inéditos da autora.
Além da leitura dos poemas, o evento terá uma exposição de fotos e obras da artista, além de discotecagem com as DJs Analua Ito, Silvia de Luca e Empório da Keiko (aka Katy Kakubo).

O Sarau acontece no dia 25/11, a partir das 9pm, no Cemitério de Automóveis, como parte da programação do Londrix, Festival Literario e a entrada é franca!"

Patrocínio do Festival Literário de Londrina - Londrix: PROMIC/MINISTÉRIO DA CULTURA/BIBLIOTECA NACIONAL
Apoio: GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ/SETI, UEL/PROEX, FUNDAÇÃO ARAUCÁRIA

Parceria: CULTURAL, RPC TV








segunda-feira, 14 de novembro de 2016

lhufas vão bem com vinho turvo





alguém diz que o dia é baldio
basta a vibração das palavras para
que um homenzinho
alimente o gato
corte os cabelos
acarinhe o pensamento sujo
de pássaros
basta a vibração
para
que o chão esteja
para que o chão receba o rosto e os joelhos
do corpo que cai com a visão
mandalas na radiação solar
basta o sol embutido nalgum sentido
do dia baldio para que
alguém comece a salgar a carne
lavar as folhas
alguém diz que o dia é baldio
alguém diz lhufas vão bem com vinho turvo
alguém com alguém passa 11 horas num
elevador entre o sexto e o sétimo piso
fazem um filho ou uma saída
o dia é baldio
alguém cai duro no sofá de bambu
alguém espera que o dia baldio acabe
então basta
esperar para que a noite chegue
inculta
cabendo a tudo
o dia na noite com salada
sujeira de pássaros
lhufas um filho uma saída





sábado, 24 de setembro de 2016

lançamentos entrevista aparições e onze dedos de jeropiga com Cândido Rolim na Germina Literatura


   





em Agosto


















ainda ainda ainda em Setembro (urra!)
a edição “resta um” da Revista Garupa publicou 4 poemas meus 
e a Diversos Afins publicou + 9 prosinhas!
(urra!)























e é isto!:
agora já posso escrever um bife, flertar c'uma árvore e vender um filho.
eia!



OBRIGADA QUERIDXS!


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

a metáfora mais gentil do mundo gentil - Edições Macondo - LANÇAMENTO











canja


em expansão
o ódio o amor
ainda que nada nada
em água em expansão
um banheiro em pleno ódio
onde jaze teu rosto quando
fundo aqui um amor cheio de ódio
o banheiro no ódio
você na banca de jornais
eu a ronronar alhos curry no banheiro
ódio e preces
um banheiro para o ódio que
o ódio que se come cru
abrir um banheiro para o ódio
ao ódio tudo porque o ódio
busca toda a satisfação o gosto de tudo
você na banca de jornais
eu na briga onde espero por ti
temperos gosto receitas
um deus faria o mesmo eu sei
pois deus faria o mesmo e fez
você na banca de revistas com ornatos para interiores
um banheiro todo para o ódio que te espera
há anos
há gerações
afio os punhos empunho a faca
como cortar um ovo meu deus do céu dos interiores
enquanto o jornaleiro faz lucro faço banheiro
quem nunca
jesus maria e josé
esfaqueou uma galinha
morta na pia borrada de creme dental
não sabe o que é o ódio de um amor tão macio
suculento
quem nunca meteu alhos pelos furos na bendita
quem nunca escorregou junto do choro da baba
quem nunca se machucou num tanto amor
quem nunca morreu no banheiro cravado no ódio da espera
amor
quem nunca leu nesses olhos a manchete ordinária
quem nunca amolou um garfo nos dentes do todo ódio
tamanho banheiro em pleno ódio
preces
um banheiro na cozinha em pleno ódio amor
em expansão
se esse banheiro fosse um cofre
se todo meu ódio fosse esse ladrão
















O LANÇAMENTO:



a metáfora mais gentil do mundo gentil 
(de onde o poema acima)
será lançado
dia 25/09 a partir das 22h (AMANHÃ!)
junto do evento maravilha que a Macondo realiza
periodicamente 
o
Eco - Performances poéticas 
no Café Muzik
Rua Espírito Santo, 1081 - Juiz de Fora, MG


O LIVRO:


Uma das poetas mais instigantes da nova geração chega às Edições Macondo trazendo uma "poética dos banheiros". A metáfora mais gentil do mundo gentil, primeiro livro de Carla Diacov editado no Brasil, é um apanhado íntimo de situações e registros de uma voz espantada e eufórica, que corre linhas como se deixasse aberta a porta do banheiro público e chamasse os leitores ao redor.


Ilustração da Capa: Anna Mancini
Revisão: Anelise Freitas
Número de páginas: 40
ISBN: 978-85-921140-2-2


SOBRE A AUTORA:


Carla Diacov é uma poeta brasileira nascida em São Bernardo do Campo em 1975. É formada em Teatro e possui poemas publicados em diversas revistas no Brasil e em Portugal. Amanhã alguém morre no samba, seu livro de estreia, foi publicado em Portugal, em 2015, pela Douda Correria (pedidos com Nuno Moura no miasoave@sapo.pt). 
Ainda esse ano lançará Ninguém vai dizer que eu não disse pela mesma editora.






para comprar
a metáfora mais gentil do mundo gentil:







(release mais gentil do mundo gentil de Otávio Campos.
fizemos esse livro com muito amor, com todo carinho, através de um caminho onde somente lindas surpresas. todo meu coração com Anelise Freitas, Otávio Campos, Anna Mancini e os Maconders que ainda não conheci. amanhã seremos! OBRIGADA, queridos!) 






(e aqui a matéria que o querido Mauro Morais fez para a Tribuna De Minas)

abra, por favor, em outra aba: a leitura fica mais confortável!





segunda-feira, 8 de agosto de 2016

bip - you win again





mania
me chamava de mania
mania vem cá ver o leite da fervura
olha lá um acidente
um ônibus atropelou um hidrante para
não atropelar o gato preto
mania presta atenção
vê a senhora que desce cambaleando o busão?
bateu a cabeça no marido e
onde estrará o frango assado do domingo?
mania mania não me engana mania
olha bem olhado isso aqui é prêmio
estamos no quinto andar e temos um postal vivo
de uma sorte grande
a senhora continua cambaleando vai entrar aqui
já passou a portaria quer apostar?
mania corre ver o olho mágico a
senhora vai aparecer ali em cinco ou menos minutos
mania mania algum sinal da cambaleante?
entrou ao apartamento da frente
arrastando pingos de sangue da testa
mania vista aquele vestido pink e devolva a flor
de papel que te fiz
vamos levar o gato uma bacia um caderno três canetas
a mala com selos achocolatado lacrado maquiagem
diana ross dionne warwick bee gees
meu coração é seu você sabe
ó mania
mas a tarde terá dias demais para essas bobagens

e nos mudamos a contar selos e higienizar a testa
da viúva sem o frango do domingo
















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(miasoave@sapo.pt)





sexta-feira, 15 de julho de 2016

bip - nascida para ser boa





caminhar pelas linhas dessa rua
numa tarde de feriado nacional
sequestrar o momento da pomba sobre o dedo da estátua
lamber o caminho do sorvete derretido derretendo
/saber que me olham com horror e gostar // ah como é bom ser terrível/
manchar a manga da camisa que você me deu
imaginar todas as possibilidades do pistache
com tudo do propósito
jogar a cabeça para o lado
encarar o casal de formigas
forjar um bico de desaprovação
sentir formigar os olhos na separação
/saber que me olham com horror e gostar // ah como é bom ser terrível/
voltar as linhas da rua
tocar seu telefone que toca sua secretária
eletrônica
oi sou eu
quando você foi embora
levou junto aquela camisa que me deu
procure por favor tenho reunião na quarta
e estou sem camisa para a ocasião e isso n bip

assistir ao último capítulo da novela
usar meus poderes para que Alberto morra
que Solange passe seus últimos minutos no
colo do cirurgião plástico e que as crianças
voltem para o orfanato













&








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+






+













quinta-feira, 26 de maio de 2016

Amanhã Alguém Morre no Samba





e é isso!
essa imensa alegria:
temos um bom apanhado de poemas de
Amanhã Alguém Morre no Samba (Douda Correria - Portugal - 2015)
na apetitosa Modo de Usar & Co.








(obrigada, Ricardo Domeneck!)




§§§










terça-feira, 15 de março de 2016

proibido usar a língua na sala de usar a língua - flanzine #11



na flanzine #11

(com beijinho especial para o honorável nhô João Pedro Azul)





proibido usar a língua na sala de usar a língua





“ó, Édipo, meu rei cassetudo...
corte a língua antes dos olhos.
ó, Vincent, diabo roxo...
corte o gogó antes da orelha.
ó, Long Dong Silver, obelisco in a such rainbow democracy...
corte as bolas, corte as amídalas, deixe a língua maldizer-te todo língua.”


Marla Diacov






a língua besunta o verbo
debaixo da faca aos lados pela afiada ribanceira
com jabuticaba
pela língua
sei minha puerícia explodindo em roxos
sei meus matrimônios e meus divórcios
sei café por onde os roxos e vinhos e envelopes
salivados
em beijos franceses


duvido do paladar perfeito
o paladar dos outros no idioma inflável
a nata debaixo da lesma língua
ó e ó
da mobilidade amanteigada de certas
línguas
das delícias
vendidas nas fronteiras das bocas
o mercado negro
das preciosas mentiras
das dulcíssimas críticas
questão de sabor
sôbolos risos
questão da dobra na língua
sôbolos risos em inclinação
tantas as todas curvas e dobras


a gueixa usa a língua para trás
a gueixa trava a língua para dar
ameixa para quem não caga mais


§ diga meu nome com o sotaque que Camões
usou para desafogar Os Lusíadas
e me caso com essa língua que desde tanto me lambe
os ombros §


hoje então
quero passear de língua solta


§ mais roxos? §
§ meu nome é Marla Diacov
tenho um braço de 40 anos
um braço de trezentas e nove mil tentativas erradas
já meti a luva pelos dedos
os dedos pela boca
a língua pelo pé no chão onde pisou Anchieta §
§ e então e então? mais roxos? §


a língua não é confiável
nhô Anchieta
ó
sufro terribles crisis de reflujo gastroesofágico
quando peso 1975
quando encosto a régua no ano que se passa
a língua
repito
a língua
e repito e ajeito minhas ombreiras
a língua
ó e ó
Anchieta
a língua saliva o livro
a notícia
os classificados
lambe o atlas
picha nomes e cruzes
e comete suicídio
every
single
day
abraça a lâmina e chora
a língua
roxa roxa roxinha
a parte nobre do boi
a gueixa a jabuticaba a saudade só em português só:
modos de assar e de comer


§ sim e por favor
desejo todos os roxos
desejo todo o ardor §

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Veja!CoelhoFelizDeNovo - primeiro coelho




a flecha de sol
que vem machucando as folhas
da mangueira que eu plantei usando
aquela técnica
apanhe um livro chato
um que tenha lhe aborrecido um pouco
adube o livro com um tanto de tempo e
deboche
deturpe o título dele
deturpe o nome do autor
faça gestos obscenos para a lombada do livro
faça nas páginas uma cova para
a semente de manga matada de sol
/o sol é cínico/ /toda temperatura cínica é bonita no começo/
feche o livro
esqueça o livro como quem
esquece a bolsa com uma moeda de outro país
no fundo
grudada com goma no forro da bolsa
debaixo de um quilo de terra ensacada
leve três semanas para se lembrar da bolsa
esqueça a bolsa
no fundo
tire o saco de terra do cenho do livro podre
faça uma cova para o livro chato com semente renascendo dentro
desempaque a terra e cubra a cova que
deverá ter um galho pequeno e safado e metido
uma folha linda metida desensacada do galho
querendo
morrer daquela flecha de sol

o coelho será preto e
estará entre a mangueira e a bolsa
note no vermelho dos olhos do coelho preto
o sol é cínico no começo
depois é só sol
é bonito
quase um coelho feliz
no fundo
quase um coelho feliz
todo sol





















§§§




amanhã alguém morre no samba








(os doudos aceitam pagamentos via paypal)